Nesta segunda-feira (8), às 18h, a Livraria da Vila, no Jardim Paulista, em São Paulo, será palco do lançamento do livro Mobilidade e Qualidade de Vida nas metrópoles: Tarifa Zero, Integração de Modais e Autoridade Metropolitana. Publicado pela Editora Jandaíra, a obra coloca em pauta a mobilidade urbana como um elemento central para a qualidade de vida, especialmente nas periferias, e defende a tarifa zero como um direito fundamental.

O autor, o deputado estadual de São Paulo Mário Maurici (PT-SP), explica que a motivação para escrever o livro veio da percepção de que a mobilidade é um vetor que estrutura as desigualdades nas grandes cidades. "No livro, eu parto desses diagnósticos para defender que a mobilidade é um vetor estruturante das desigualdades. A cidade não é democrática quando a tarifa determina quem pode estudar, trabalhar, passear com os filhos ou consultar um médico", afirma Maurici.

A discussão proposta pela obra ganha ainda mais relevância em um momento em que o tema da tarifa zero volta com força à agenda pública. Recentemente, notícias como "Estudo defende substituir vale-transporte por tarifa zero universal" e "Haddad: estudo do governo avalia tarifa zero no transporte público" mostraram que a ideia está sendo debatida em esferas governamentais. Em Brasília, movimentos sociais também se organizam em uma agenda em defesa da tarifa zero, demonstrando a pressão da sociedade por mudanças.

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Maurici presta uma homenagem especial no livro ao engenheiro Lúcio Gregori, considerado o pioneiro da tarifa zero no Brasil. Gregori idealizou o projeto quando era secretário de Transportes na gestão da prefeita Luiza Erundina, em São Paulo. "O que Lúcio Gregori nos deixou não foi apenas um projeto, mas um método de pensar a cidade que parte do óbvio, mas que raramente é adotado, de que o transporte é um direito, e não mercadoria. Que, com mais mobilidade, as pessoas têm acesso a mais oportunidades", destaca o deputado.

O evento de lançamento promete ser um momento rico de debate. Além do autor, que estará presente para dialogar com o público e autografar exemplares, a cerimônia deve reunir um público diversificado, incluindo parlamentares, acadêmicos, gestores públicos, diplomatas e representantes de movimentos populares. A expectativa é que a conversa vá além do livro, tocando em questões práticas sobre como implementar políticas de mobilidade mais justas e democráticas.

A obra não se limita a defender a tarifa zero. Ela também aborda a necessidade de integrar diferentes modais de transporte – como ônibus, metrô e trem – e a criação de autoridades metropolitanas para gerir o sistema de forma mais eficiente e coordenada. Esses pontos são vistos como complementares à proposta de gratuidade, formando um conjunto de medidas para transformar a mobilidade urbana.

Para muitos especialistas e ativistas, a discussão sobre tarifa zero vai além do aspecto econômico. Trata-se de reconhecer que o direito à cidade passa, necessariamente, pelo direito de se locomover nela. Quando o transporte é tratado como uma mercadoria, parte da população fica excluída de oportunidades básicas, como emprego, educação e saúde. O livro de Maurici chega, portanto, em um momento oportuno, alimentando um debate urgente sobre que tipo de cidade queremos construir no Brasil.