A jovem Ana Carolina, vítima de um crime brutal em Apucarana, foi transferida entubada para um hospital especializado em queimados, em Curitiba. As lesões graves resultam do arrastamento pelo asfalto, ocorrido após ser atingida pelo carro do namorado, que agora é investigado pela polícia. O caso, que chocou a cidade, levanta dúvidas sobre a intenção do acusado e se será classificado como feminicídio ou tentativa de homicídio. A titular da Delegacia da Mulher em Apucarana, Dra. Luana Lopes, afirmou que a polícia está conduzindo uma série de diligências para esclarecer os fatos. O suspeito já prestou depoimento e autorizou a análise de seu telefone celular, o que permitirá verificar com quem ele se comunicou e qual foi seu itinerário de fuga. Segundo a delegada, essa perícia será fundamental para determinar se ele tinha consciência de que a vítima estava presa ao veículo ou se o crime ocorreu por negligência. Em seu depoimento, o homem alegou que sentiu ter passado por cima de “alguma coisa”, mas negou saber que se tratava de Ana Carolina. Essa afirmação, no entanto, é contestada pelos indícios coletados até agora. Testemunhas relataram gritos desesperados vindos da rua e vizinhos que saíram de casa alarmados com o barulho. Mesmo assim, ele manteve sua versão de que não ouviu nada. Além disso, a perícia no local não identificou marcas de frenagem, o que indica que o motorista não tentou parar o veículo em nenhum momento. O único vestígio deixado foi o rastro do corpo da vítima sendo arrastado pelo asfalto, além de fragmentos de tecido de sua roupa espalhados pelo caminho. A delegada destacou ainda um momento crucial na dinâmica do crime: ao perceber que estava em uma via sem saída, o motorista fez um retorno e ficou ao lado do corpo de Ana Carolina. Apesar disso, ele alega que não a viu caída no chão. Outro ponto intrigante é a presença de uma criança de dois anos dentro do veículo no momento do crime. Questionado sobre isso, o suspeito afirmou que não se lembrava da existência da criança. A Polícia Civil trabalha agora para determinar se o crime será enquadrado como feminicídio ou homicídio tentado. Caso fique comprovado que o acusado sabia que a vítima estava presa ao carro e, mesmo assim, seguiu em alta velocidade, ele poderá ser indiciado por feminicídio. Se for constatado que ele não sabia, mas ainda assim teve consciência de que atropelou alguém e não prestou socorro, a tipificação pode ser de tentativa de homicídio. Enquanto isso, a vítima segue internada em estado grave. Como ainda não foi possível colher seu depoimento, os investigadores buscam testemunhas que possam esclarecer se Ana Carolina já havia relatado situações de violência anteriormente. A perícia do Instituto Médico-Legal (IML) também foi solicitada e pode trazer informações cruciais para a investigação. Independentemente da tipificação, a delegada Luana Lopes já adiantou que o suspeito responderá criminalmente, pois, no mínimo, houve dolo eventual – ou seja, ele assumiu o risco de causar a morte ao agir com extrema negligência. O caso reforça o alerta sobre a violência contra a mulher e a necessidade de medidas mais rigorosas para coibir crimes desse tipo. Enquanto a investigação segue, a principal preocupação agora é a recuperação da jovem e a busca por justiça.
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