A edição número 168 do jornal Cândido, intitulada "Vivalice", chega às mãos dos leitores como uma celebração da literatura paranaense e da cena cultural de Curitiba. O destaque fica por conta de uma entrevista exclusiva com a escritora e poeta Alice Ruiz, que completou 80 anos em janeiro de 2024. Conhecida nacionalmente por sua poesia concisa e pelas letras de música que compôs em parceria com grandes nomes da MPB, como Itamar Assumpção e Arnaldo Antunes, Alice recebeu a equipe do jornal em sua casa para um bate-papo franco sobre sua trajetória, seu processo criativo e sua relação com diferentes formatos literários.
Como complemento a esse conteúdo especial, a publicação apresenta uma "linha do tempo" com uma seleção cuidadosa de livros e discos da autora, permitindo que o leitor percorra visualmente suas quatro décadas de produção artística. Essa retrospectiva ajuda a contextualizar a importância de Alice Ruiz, que desde o lançamento de "Navalhanaliga", em 1984, vem construindo uma obra marcada pela sensibilidade e pela economia de palavras.
Além do foco na homenageada, a edição traz uma reportagem assinada por Nayara Almeida que investiga o papel fundamental dos sebos e livrarias independentes na circulação de livros e na manutenção da cena cultural curitibana. O texto destaca como esses espaços vão além do comércio, funcionando como pontos de encontro, difusão de ideias e resistência em tempos de transformações no mercado editorial.
Em um momento de resgate histórico, o Cândido publica o último texto do escritor Wilson Bueno, intitulado "Para sempre". O material, que estava indisponível para leitura desde o fim da Revista Ideias - onde foi originalmente publicado em 2010, ano do falecimento do autor - ganha nova circulação justamente quando Bueno completaria 77 anos. A publicação serve como uma homenagem póstuma a um dos nomes mais importantes da literatura paranaense.
A seção de literatura da edição apresenta ainda a tradução do poema "Sea Song", da escritora modernista neozelandesa Katherine Mansfield, feita por Paula Nishizima. Em paralelo, Thaís Campolina assina uma seleção de poemas inéditos, reforçando o compromisso do jornal com a divulgação de novas vozes poéticas.
Na coluna "Orelhas marcadas", Carlitos Marinho conversa com o "leitor do futuro" sobre os desafios da preservação do hábito da leitura na era digital e compartilha os grifos favoritos dos leitores do jornal, criando um diálogo interessante entre tradição e modernidade.
Para fechar com chave de ouro, a edição traz o ensaio fotográfico "Nenhuma Vida a Menos", de Luiza Yasumoto, que documenta com sensibilidade a luta dos moradores contra a repressão policial no bairro Parolin, em Curitiba. As imagens capturam momentos de resistência e organização comunitária, dando voz a quem muitas vezes é silenciado.
A capa da edição é uma homenagem visual ao primeiro livro de Alice Ruiz. Com fotografia de Kraw Penas e intervenção gráfica de Iuri de Sá, a arte faz referência direta a "Navalhanaliga", criando um elo entre o passado e o presente da produção literária da autora. A edição completa está disponível para leitura no site da Biblioteca Pública do Paraná, que publica o jornal Cândido.

