Fenômeno, sensação, prodígio. Esses foram apenas alguns dos adjetivos que acompanharam o tenista carioca João Fonseca ao longo de 2025, ano em que o jovem de 19 anos protagonizou uma das ascensões mais vertiginosas do esporte brasileiro recente. Começando a temporada na 145ª posição do ranking mundial da ATP, o brasileiro subiu impressionantes 121 posições e fechou o ano entre os 24 melhores tenistas do planeta, colecionando títulos, vitórias históricas e o carinho de uma legião de fãs - incluindo grandes estrelas do circuito internacional.

A jornada extraordinária rendeu a João Fonseca o prêmio de Atleta da Torcida na categoria masculina do Prêmio Brasil Olímpico 2025, láurea concedida pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) após votação popular. O reconhecimento veio como coroação de uma temporada que começou com uma decisão corajosa: abrir mão do tênis universitário nos Estados Unidos para abraçar definitivamente a carreira profissional.

O ano de 2025 começou de forma avassaladora para o carioca, que já havia terminado 2024 como campeão das Next Gen ATP Finals - competição que reúne os oito melhores tenistas com até 20 anos de idade. Logo em janeiro, com apenas 18 anos, João faturou seu primeiro título de simples no Challenger 125 de Camberra, na Austrália, saltando 32 posições no ranking.

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Mas foi no Aberto da Austrália, seu primeiro Grand Slam na carreira, que o mundo realmente descobriu o talento brasileiro. Após garantir vaga na fase principal através do qualifying (qualificatório), João surpreendeu o circuito ao eliminar o russo Andrey Rublev, então nono colocado do mundo, com uma vitória convincente por 3 sets a 0. A performance chamou atenção até do multicampeão sérvio Novak Djokovic, que não economizou elogios: "Ele é corajoso, bate muito bem e é um jogador completo", disse o ídolo. "É um momento empolgante para o Brasil, mas também para todo o mundo do tênis, porque um jogador e uma pessoa tão jovem ser capaz de jogar tão bem em um grande palco é impressionante".

Mesmo sendo eliminado na rodada seguinte pelo italiano Lorenzo Sonego, o brasileiro subiu mais 13 posições e fechou janeiro entre os 100 melhores do mundo - tornando-se o segundo tenista mais jovem, depois do espanhol Carlos Alcaraz, a alcançar esse feito.

Em fevereiro, veio o primeiro título no circuito profissional principal: o ATP 250 de Buenos Aires, na Argentina, com vitória na final sobre o anfitrião Francisco Cerundolo. A conquista fez João galgar mais 31 posições, alcançando a 68ª colocação mundial e rendendo até um elogio público do próprio Alcaraz, então número 1 do mundo, nas redes sociais.

A partir daí, as portas dos grandes torneios se abriram para o brasileiro. Participou dos prestigiados Masters 1000 de Indian Wells e Miami, ambos nos Estados Unidos, onde derrotou rivais de renome como o britânico Jacob Fearnley e o francês Ugo Humbert, classificando-se pela primeira vez à terceira rodada de um torneio dessa categoria.

Nos Grand Slams seguintes, João continuou a impressionar. Em Roland Garros, na França, despachou o polonês Hubert Hurkacz, ex-top 10 mundial, antes de cair na terceira rodada. Em Wimbledon, na Inglaterra, tornou-se o tenista mais jovem em 14 anos a chegar à terceira rodada do torneio masculino de simples, batendo o anfitrião Jacob Fearnley e o norte-americano Jenson Brooksby.

O ponto alto da temporada veio em outubro, quando João Fonseca conquistou seu primeiro troféu ATP 500 no Torneio da Basileia, na Suíça, com vitória sobre o espanhol Alejandro Fokina, então 18º do mundo. A conquista praticamente garantia que o brasileiro terminaria o ano entre os 30 melhores do planeta, mas ele foi além: menos de 48 horas depois do título, estreou com vitória de virada sobre o canadense Denis Shapovalov no Masters 1000 de Paris.

A temporada histórica terminou com João Fonseca ocupando a 24ª posição mundial e sendo uma peça fundamental na classificação do Brasil para os qualifiers da Copa Davis 2026 - onde derrotou ninguém menos que o ex-top 3 mundial Stefanos Tsitsipas, da Grécia.

Em novembro, durante coletiva no Rio de Janeiro, o jovem carioca refletiu sobre o ano extraordinário: "Foi um ano maravilhoso. As coisas aconteceram rápido nas nossas vidas. Minha temporada começou no Next Gen de 2024. Cheguei à primeira chave principal de Grand Slam [Aberto da Austrália], ganhei do Rublev e, a partir daí, foi só para cima. Muito grato por tudo".

O fechamento simbólico veio em uma partida de exibição contra o atual número 1 do mundo, Carlos Alcaraz, no Miami Invitational. Embora tenha perdido por 2 sets a 1 após liderar por 5 a 0 no match tie-break decisivo, João mostrou que pode competir de igual para igual com os melhores do circuito. "Quase consegui, pessoal", disse ele, sorridente, dirigindo-se à torcida após o jogo.

Com apenas 19 anos completados em agosto de 2025, João Fonseca não apenas reviveu as esperanças do tênis brasileiro por um representante de elite no circuito mundial, como também se estabeleceu como uma das grandes promessas do esporte global. Sua ascensão meteórica, combinada com maturidade incomum para a idade e um jogo completo e corajoso, sugere que esta é apenas o começo de uma carreira que promete muitos capítulos emocionantes - e possivelmente, em breve, embates decisivos contra os maiores nomes do tênis mundial em torneios que valem pontos no ranking. Como bem observou Djokovic, é um momento empolgante não apenas para o Brasil, mas para todo o mundo do tênis.