Para Ivete Sangalo, pisar em Salvador para o projeto Clareou foi muito mais do que uma etapa de turnê. A capital baiana, embora não seja sua cidade natal (ela é de Juazeiro), é o lar que a consagrou e de onde extrai a energia visceral que a transformou em um dos maiores nomes da música brasileira.

Com a leveza de quem está em casa e a precisão de uma performer lendária, Ivete entregou uma maratona musical de quase sete horas. Sua tranquilidade no palco 360º não é pose, mas a familiaridade de quem já comanda multidões por horas a fio no Carnaval, puxando trios elétricos. Ela transmitiu ao público a sensação de “Bem-Vindo à Casa”, convidando todos para a grande roda.

O fio condutor do show foi celebrar o samba em sua grandeza, começando com reverência à ancestralidade. Ivete pavimentou o percurso lembrando clássicos como “Retalhos de Cetim”, de Benito di Paula. O primeiro convidado, o mestre Nelson Rufino, confirmou o tom da noite ao cravar: “Na Bahia É assim”. Juntos, entoaram “Todo Menino É Um Rei” e “Verdade”, estabelecendo uma conexão direta com a semente que funda o samba em solo baiano.

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