Apesar do hype e das grandes expectativas que cercam a inteligência artificial, a tecnologia ainda não se tornou uma ferramenta importante para alavancar a produção e os resultados das empresas que a utilizam. A constatação é de Norbert Jung, CEO da Bosch Connected Industry, braço de tecnologia da multinacional alemã Bosch.
"Temos essa grande empolgação, essa grande esperança de que a IA possa ajudar a resolver muitas das nossas questões, mas ainda assim todo mundo está meio que na fase piloto. Noventa e cinco por cento dos projetos de IA não entregam valor econômico hoje", apontou o executivo durante um painel sobre o tema.
As declarações foram feitas em um evento que antecipou novidades da Hannover Messe, maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que ocorrerá de 20 a 24 de abril em Hannover, cidade de cerca de 550 mil habitantes no Norte da Alemanha.
Para Jung, o problema passa pelo excesso de informação, o que classificou como cenário desafiador: "Temos cada vez mais dados, mas isso não parece produzir muito mais valor a partir desses dados".
A análise do especialista encontra eco em estudo recente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O relatório "O Estado da IA nos Negócios em 2025" revela que, apesar de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões em investimentos empresariais em IA generativa, 95% das organizações estão obtendo retorno zero.
Caminhos para o futuro
Ao apontar caminhos para fazer com que a IA agregue mais valor às empresas industriais, Norbert Jung destaca a importância da integração com o conhecimento humano. "A resposta está em trazer IA, máquinas e humanos juntos em uma forma de cointeligência na manufatura", diz. "Nós industrializamos a IA generativa", completa.
Na mesma linha, Sven Parusel, chefe do departamento de pesquisa da empresa de robótica Agile Robots, considera que a IA começa a "ganhar vida" por meio de robôs. "Estamos vendo a IA sair das telas e entrar nos espaços de manufatura, especialmente quando falamos de IA física, trazendo robôs e máquinas físicas junto com as capacidades de IA", aponta.
Parusel revelou que a Agile desenvolveu um sistema de montagem de caixa de câmbio com dois braços robóticos controlados por IA. "Usa a IA para controle e visão computacional para detectar objetos. Já vemos os benefícios: produção mais rápida, mais flexível e mais fácil de configurar", descreve.
Brasil como país homenageado
Nesta edição da Hannover Messe, o Brasil será o país homenageado, com direito a ocupar pavilhões que somam 2,7 mil metros quadrados. Além de robôs e IA, a feira apresentará tecnologias de digitalização, automação, descarbonização e energia limpa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, confirmaram presença no evento. A participação brasileira é organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Serão 140 expositores brasileiros e uma delegação formada por 300 empresas. Em conversa com a Agência Brasil, a representante regional da ApexBrasil, Márcia Nejaim, considera que o país tem potencial para ser protagonista na área de IA.
"A gente tem total condições, assim como a gente já, inclusive, estabeleceu tendência em uso de outras tecnologias em um passado muito lá atrás de linguagens de computação e tal", afirmou Nejaim.
Ao citar instituições brasileiras que podem servir como expoentes de IA na Hannover Messe, a representante da ApexBrasil lembrou de nomes como o do instituto de pesquisa Eldorado e das empresas Fu2re e Stefanini. "O Brasil hoje tem gente trabalhando com tecnologia que não fica atrás, muita gente de fora vem contratar gente no Brasil", reforçou.

