Apontada como uma das economias mais dinâmicas do mundo e com perspectiva de se tornar a terceira maior economia global em poucos anos, a Índia vem ganhando espaço cada vez mais relevante como compradora de produtos paranaenses. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), revelam que as exportações do estado para o país asiático somaram US$ 108 milhões nos dois primeiros meses de 2026, um aumento expressivo de 95% em relação ao mesmo período de 2025, quando as vendas atingiram US$ 55,6 milhões.
Esse crescimento fez com que a participação da Índia nas exportações totais paranaenses saltasse de 1,7% para 3,5%, garantindo ao país a terceira colocação entre os destinos dos bens produzidos no Paraná, atrás apenas da China e da Argentina. A ascensão é ainda mais significativa quando se observa que, nos dois primeiros meses de 2025, a Índia ocupava apenas a 15ª posição entre os países compradores de produtos paranaenses.
O volume exportado no primeiro bimestre de 2026 é tão expressivo que já equivale a praticamente metade de tudo o que foi vendido para a Índia durante todo o ano de 2020 e 2021 somados. O melhor ano da relação comercial até agora foi 2023, quando as exportações paranaenses para o país asiático atingiram US$ 751 milhões.
Na pauta de exportações, destacam-se quatro produtos principais: óleo de soja, produtos metalúrgicos, derivados do petróleo e papel. Juntos, esses itens responderam por 87% das receitas geradas pelo comércio com a Índia no primeiro bimestre de 2026. Do outro lado da balança comercial, o Paraná importou US$ 70,7 milhões em mercadorias indianas no mesmo período, com destaque para produtos químicos.
De acordo com Jorge Callado, diretor-presidente do Ipardes, o governo e os exportadores paranaenses vêm acompanhando de perto os movimentos do mercado indiano, considerando o país como um dos alicerces para o crescimento futuro das vendas externas do estado. "A ampliação do intercâmbio comercial com a Índia interessa muito ao estado, dado o entendimento de que a produção para exportação gera emprego e renda em nível local", analisa Callado.
O bom desempenho das exportações para a Índia faz parte de um cenário mais amplo de crescimento do comércio exterior paranaense com mercados asiáticos e europeus. As vendas para Japão, Singapura e Filipinas avançaram, respectivamente, 107%, 103% e 124% no primeiro bimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. No caso do Japão, o aumento foi sustentado principalmente pela carne de frango, enquanto as exportações para Singapura e Filipinas tiveram como base o petróleo e a carne suína, respectivamente. Já o comércio com a Europa registrou incremento nas vendas de torneiras, válvulas e farelo de soja.
As relações positivas com a Índia vão além do comércio de mercadorias. Recentemente, a multinacional indiana Tata Consultancy Services (TCS), líder global em serviços de TI, consultoria e soluções de negócios, anunciou um investimento de R$ 200 milhões (equivalente a US$ 37 milhões) na construção de um campus em Londrina, no norte do Paraná. Presente na cidade há sete anos, onde mantém seu maior centro de operações no Brasil, o complexo deve ser concluído em 2027, com perspectiva de gerar 1.600 empregos diretos.
Esse movimento reforça a importância estratégica que a Índia vem assumindo para a economia paranaense, tanto como mercado consumidor de produtos primários e industrializados quanto como investidor em setores de tecnologia e serviços, criando um ciclo virtuoso de geração de riqueza e oportunidades para o estado.

