Em meio ao concreto das cidades paranaenses, um movimento verde ganha força e transforma espaços antes ociosos em fontes de alimento, renda e comunidade. Famílias que buscam reconectar-se com a terra e produzir comida saudável estão encontrando uma oportunidade inusitada: cultivar hortaliças e legumes sob as linhas de transmissão de energia da Copel. Em 2025, o programa Cultivar Energia deu um salto significativo, com a criação de 32 novas hortas, elevando o total para 57 unidades ativas em todo o estado do Paraná.

Este crescimento expressivo foi impulsionado por uma mudança crucial nas regras do programa. Até então, os contratos para uso das faixas de domínio da empresa eram firmados prioritariamente com associações de moradores. Agora, a atualização normativa permitiu a regularização direta com pessoas físicas ou jurídicas, ampliando o acesso. Somente entre outubro e dezembro de 2025, 26 áreas foram regularizadas nesta nova modalidade apenas em Curitiba. Além disso, seis novas hortas foram implantadas através de parcerias com prefeituras: três em São José dos Pinhais e outras três em Ponta Grossa. No total, 128 novas famílias passaram a integrar a iniciativa no último ano.

Os benefícios vão muito além do prato. Para os participantes, os chamados 'hortelões', a prática garante acesso direto a alimentos frescos e livres de agrotóxicos, promove a geração de renda complementar através da venda do excedente e fortalece os laços sociais dentro das comunidades. Do ponto de vista da Copel e da gestão urbana, a ocupação ordenada dessas faixas de segurança é uma solução inteligente. Espaços que não podem receber construções ou árvores de grande porte por questões de segurança ganham uma função social e ecológica, mantendo-se limpos e monitorados.

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A segurança, claro, é uma premissa fundamental. Todos os participantes recebem treinamento e instruções específicas das equipes da Copel. Entre as normas obrigatórias estão a proibição de permanecer na área em dias de chuva ou tempestade, a não utilização de estruturas ou fios metálicos nos canteiros e a manutenção do cultivo com altura máxima de dois metros, garantindo que não haja interferência com as linhas de energia.

Atualmente, o Cultivar Energia está presente em 12 municípios paranaenses: Almirante Tamandaré, Apucarana, Cascavel, Curitiba, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, São José dos Pinhais, Siqueira Campos e Umuarama. O programa beneficia diretamente 778 famílias, com um público indireto estimado em 3,1 mil pessoas que se beneficiam da produção e da dinâmica comunitária gerada.

Para a superintendente de Sustentabilidade da Copel, Luísa Nastari, o impacto é integral. "A atividade tende a melhorar tanto a saúde física quanto a saúde mental dos participantes porque incentiva a socialização e a alimentação saudável", afirma. "Eles encontram as pessoas da comunidade e produzem alimento sem o uso de agrotóxicos. Muitas vezes, eles têm um excedente de produção e podem comercializar, garantindo uma pequena renda", complementa.

O engajamento extrapola os limites dos canteiros. Em algumas cidades, funcionários da própria Copel participam como consumidores, organizando grupos de compra semanais para adquirir os produtos cultivados. Esta iniciativa voluntária não só incentiva os pequenos produtores, fortalecendo a economia local, como também reforça a conexão entre a empresa e as comunidades onde ela atua, fechando um ciclo virtuoso de produção sustentável e consumo consciente. Assim, sob os fios que carregam energia, floresce uma outra forma de poder: o da transformação social a partir da terra.