Uma ação de fiscalização realizada no último sábado (14) no Parque Estadual Pico Paraná resultou na aplicação de 15 multas a visitantes que acessaram a trilha do morro sem passar pelo cadastro obrigatório. A operação, conduzida pelo Instituto Água e Terra (IAT) e pelo Batalhão de Polícia Ambiental, abordou 35 pessoas na trilha de acesso ao pico, localizado nos municípios de Campina Grande do Sul e Antonina. Cada Auto de Infração Ambiental (AIA) individual foi de R$ 2 mil, totalizando R$ 30 mil em multas aplicadas.
A legislação estadual exige que todos os visitantes se dirijam presencialmente às bases do IAT, localizadas nas entradas do parque, antes de iniciar qualquer passeio. No local, é necessário preencher um cadastro com dados pessoais, telefone, contatos de emergência e horário de início da visita. Ao final do percurso, o visitante deve retornar à base para "fechar" a ficha, concluindo o processo. O descumprimento dessa regra configura infração ambiental.
"Além de proporcionar a segurança dos visitantes, o cadastro é uma ferramenta de gestão, considerando que os dados são utilizados para planejamentos futuros para a Unidade de Conservação. Então é muito importante que todas as pessoas que queiram acessar o parque passem pela base e façam o cadastro", explica a chefe do Parque Estadual Pico Paraná, Marina Rampim. Ela reforça que o não cumprimento da medida pode dificultar ações de resposta em casos de emergência, além de acarretar punições aos visitantes que desrespeitam as regras.
Segundo o decreto federal 6.514/2008, adotar condutas em desacordo com os regulamentos e orientações de uma Unidade de Conservação (UC) pode resultar em multas que variam de R$ 500 a R$ 10 mil. A operação de sábado focou especificamente naqueles que burlaram o cadastro obrigatório, uma prática que tem sido alvo de atenção constante dos órgãos ambientais.
Durante o período do Carnaval, o parque já havia sido palco de uma ação de conscientização em parceria com o Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) e a Polícia Ambiental do Paraná. Na ocasião, cerca de 300 visitantes foram orientados ao longo de quatro dias sobre o acesso apropriado ao espaço, com reforço nas medidas de segurança e boas condutas para garantir um passeio tranquilo na montanha.
O Parque Estadual Pico Paraná é um complexo ambiental que abriga o maior pico da região Sul do Brasil, com 1.877,39 metros de altitude, sendo um destino famoso entre aventureiros e montanhistas. A UC possui cinco picos e um morro, cujo acesso exige caminhadas que variam entre 3,5 km e 10 km. A área é reconhecida por sua rica biodiversidade, com uma floresta formada por arbustos, xaxins, trepadeiras, bromélias, orquídeas e samambaias, além de árvores de mais de 30 metros de altura, como cedro, canjarana, figueira-branca, canela-preta e sassafrás.
A fauna local inclui mais de 71 espécies de animais, como bugios, serelepes, pacas, ouriços, quatis, cutias e jaguatiricas, além de espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada e a suçuarana. O parque funciona todos os dias, com base de atendimento 24 horas. Para chegar, os visitantes devem seguir pela BR-116, passando pelo Posto do Tio Doca, entrando à direita na Ponte do Rio Tucum e percorrendo 6 km até a base do IAT, onde a estrada termina e começa o acesso às trilhas.
A fiscalização reforça a importância do cumprimento das normas para a preservação do ambiente e a segurança dos frequentadores, especialmente em uma área de grande relevância ecológica e turística como o Pico Paraná.

