O mês de fevereiro se veste de laranja no Brasil para chamar a atenção da população sobre a leucemia, um dos tipos de câncer mais incidentes no mundo. Diferente de outros tumores que formam nódulos ou massas sólidas, a leucemia se manifesta diretamente no sangue, o que torna o conhecimento sobre seus sinais e um diagnóstico rápido fundamentais para o sucesso do tratamento. A campanha Fevereiro Laranja tem como foco principal desmistificar a doença e incentivar a busca pelo diagnóstico precoce.

"Não existe uma forma comprovada de prevenir a leucemia, mas é possível reduzir os riscos, mantendo hábitos de vida saudáveis, e sempre ficar atento aos sinais, porque a detecção precoce é uma forma de evitar que a doença evolua com gravidade", comentou o secretário de Estado da Saúde do Paraná, Beto Preto. A declaração reforça a mensagem central da campanha: embora a prevenção direta seja complexa, a vigilância aos sintomas e um estilo de vida equilibrado são aliados cruciais.

A leucemia é um câncer que tem origem na medula óssea, local onde as células sanguíneas são produzidas. A doença ocorre quando os glóbulos brancos, também conhecidos como leucócitos, sofrem uma mutação genética e passam a se reproduzir de forma descontrolada e anormal. Essas células doentes, ao se multiplicarem, acabam substituindo as células sanguíneas saudáveis – glóbulos vermelhos, glóbulos brancos normais e plaquetas –, o que compromete seriamente o sistema imunológico e a oxigenação do corpo.

Publicidade
Publicidade

A classificação da leucemia depende principalmente de dois fatores: a velocidade de progressão da doença e o tipo de célula sanguínea atingida. Nas leucemias agudas, as células cancerosas se multiplicam rapidamente, exigindo tratamento imediato. Já as leucemias crônicas têm uma evolução mais lenta e, em muitos casos, não apresentam sintomas claros nos estágios iniciais, o que pode retardar o diagnóstico.

Além da divisão entre aguda e crônica, a leucemia também é categorizada pelo tipo de célula afetada. A leucemia linfoide atinge as células linfoides, que dão origem aos linfócitos, um tipo específico de glóbulo branco. Por outro lado, a leucemia mieloide afeta as células mieloides, responsáveis por originar glóbulos vermelhos, plaquetas e outros tipos de glóbulos brancos.

Como a leucemia impacta diretamente os componentes do sangue, os sintomas geralmente estão ligados à escassez de células saudáveis. Esses sinais podem se manifestar de diversas formas, incluindo: palidez, cansaço extremo e falta de ar (devido à redução dos glóbulos vermelhos); infecções recorrentes e febre (por conta da queda na imunidade); manchas roxas na pele e sangramentos espontâneos (causados pela diminuição das plaquetas); e ainda gânglios inchados e dores ósseas.

O tratamento da leucemia evoluiu drasticamente nas últimas décadas, oferecendo novas esperanças aos pacientes. A escolha da terapia depende do tipo específico de leucemia e da idade do paciente, podendo incluir modalidades como quimioterapia, imunoterapia e transplante de medula óssea. É importante destacar que todo o tratamento para leucemia é fornecido de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A porta de entrada para esses tratamentos é a Unidade Básica de Saúde (UBS), que realiza a avaliação inicial e faz o encaminhamento necessário para a atenção especializada.

No âmbito dos transplantes de medula, dados do Paraná ilustram a importância desse procedimento. Em 2025, foram registrados 123 transplantes de medula com doador aparentado (parente consanguíneo) e 125 transplantes de medula autólogo, nos quais as próprias células-tronco hematopoiéticas do paciente são coletadas antes da quimioterapia ou radioterapia e reinfundidas após o tratamento. Além disso, houve 46 transplantes com doador não aparentado, casos que dependem da busca por um doador compatível através do cadastro no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).

A campanha Fevereiro Laranja serve como um alerta contínuo para que a população brasileira fique atenta aos sinais do corpo e procure orientação médica ao notar qualquer sintoma suspeito. A desmistificação da leucemia e o incentivo ao diagnóstico precoce são passos fundamentais para melhorar os índices de sucesso no tratamento e, consequentemente, a qualidade de vida dos pacientes.