Começa nesta quarta-feira e segue até o próximo domingo (7), em Fortaleza, a nona edição do Festival de Cinema do Brics. O evento, que acontece no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, oferece sessões gratuitas de filmes, painéis de discussão e encontros institucionais entre representantes do audiovisual dos países-membros do bloco.

O Brics é uma aliança de cooperação entre países de economias emergentes, formada originalmente por Brasil, Rússia, Índia e China. Posteriormente, o grupo se expandiu para incluir a África do Sul e outros países como Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Indonésia. O festival reforça a cooperação cultural entre nações do Sul Global e acontece no mesmo período do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR)+Ibero-Américas.

Na programação cinematográfica, serão apresentados 16 filmes entre longas e curtas-metragens de ficção, documentário e animação. As produções são recentes e vêm do Brasil, China, Índia, África do Sul, Rússia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos. A entrada é gratuita, bastando retirar os ingressos na bilheteria física do Cinema do Dragão, sempre uma hora antes de cada sessão.

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A abertura oficial será hoje às 19h, com a exibição do longa cearense Morte e Vida Madalena, dirigido por Guto Parente. O filme traz a história de uma produtora de cinema, interpretada pela atriz Noá Bonoba, que vive Madalena. Ao longo da película, ela precisa lidar simultaneamente com a morte recente do pai, sua gravidez de oito meses e a produção de uma ficção científica B onde tudo parece dar errado.

Além da sessão de abertura, haverá a pré-estreia do documentário Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, dirigido por Sepideh Farsi, com presença de convidados. A obra traz o relato da cineasta que se conecta com uma mulher palestina em Gaza que documenta a vida sob bombardeios de Israel.

Pela manhã, o festival promove painéis com o objetivo de articular estratégias no campo do audiovisual e ações de cooperação internacional. Essas discussões são voltadas ao fortalecimento das políticas públicas do setor e à promoção de intercâmbios entre os países participantes.

Este ano, o festival é realizado pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria do Audiovisual (SAv). Criado em 2016, o Festival de Cinema do Brics é um evento anual itinerante realizado pelo país que assume a presidência do bloco. A edição brasileira de 2025 é uma das entregas da Presidência Pro Tempore do Brasil, reafirmando o compromisso do país com o fortalecimento das relações culturais internacionais.

O evento se destaca no cenário cultural brasileiro em um momento em que o cinema independente enfrenta desafios, como a recente discussão sobre a regulamentação dos streamings. Enquanto isso, outros festivais, como o de cinema francês, também movimentam o circuito com estreias e artistas consagrados, e produções nacionais como Rejeito abordam temas relevantes como a violência associada à mineração em cidades mineiras.