A segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2) realizou neste domingo (7) a prova discursiva, etapa decisiva para as 3.652 vagas distribuídas entre 32 órgãos públicos federais. O exame foi aplicado em 228 municípios brasileiros para aproximadamente 42 mil candidatos classificados na primeira fase.
Dos inscritos para esta etapa, 80% compareceram aos locais de prova, configurando uma abstenção total de 20% – o que representa cerca de 8,5 mil candidatos aprovados na primeira fase que não realizaram a prova discursiva. O número é significativamente menor que o registrado na primeira etapa do concurso, realizada em setembro, quando a ausência chegou a 42,8%.
Em entrevista coletiva após o término das provas em Brasília, a ministra da Gestão e Inovação (MGI), Esther Dweck, comemorou o sucesso na aplicação. "As provas chegaram nos locais sem nenhuma intercorrência. Tudo ocorreu muito tranquilamente. E a gente vai poder começar a correção em breve. A tranquilidade é fruto justamente de um planejamento", afirmou.
A ministra destacou ainda que a taxa de abstenção estava dentro do esperado para um concurso com duas etapas. "Foi uma abstenção bem menor do que no CPNU 1 e bem abaixo da média dos concursos em geral. Então, a gente ficou muito feliz porque isso reforça a consolidação de um modelo de concurso", completou Dweck.
Os estados com as maiores taxas de abstenção foram Acre (27%), Amazonas (26%), Espírito Santo (26%), Rondônia (26%) e Santa Catarina (26%). Já as menores abstenções foram registradas no Distrito Federal (15%), Piauí (17%) e Rio Grande do Sul (17%).
Mulheres são maioria entre os classificados
Um dado relevante desta edição do CPNU é a predominância feminina entre os classificados para a segunda etapa: as mulheres representam 57,1% do total, enquanto os homens são 42,9%. Segundo a ministra Esther Dweck, essa diferença é resultado direto da política de equiparação de gênero adotada entre a primeira e a segunda fase do concurso.
"Se não houvesse equiparação, em vez de 57% de mulheres e 42,9% de homens, a gente teria tido 50% de homens e 49% de mulheres. Então, a proporção seria bem diferente", explicou a ministra. A medida obriga que, sempre que há um número maior de homens classificados para uma determinada prova, o MGI convoque mais mulheres para igualar a participação de ambos os gêneros.
Renovação do serviço público federal
A ministra reconheceu que o total de 22 mil convocações previstas pelo governo federal entre 2023 e 2026 – excluindo universidades e institutos federais, que são de responsabilidade do Ministério da Educação (MEC) – ainda está aquém do necessário. Isso porque, nos últimos dez anos, aproximadamente 180 mil servidores deixaram o serviço público.
Mesmo assim, Dweck ponderou que as 22 mil vagas preenchidas no atual governo fortalecem o setor. "Quando o presidente Lula voltou no seu terceiro mandato, a gente observou certa incapacidade do Estado brasileiro de fazer políticas públicas. Não só [por causa] da carência de pessoas, mas a própria carência de instrumentos e de vontade política na condução de políticas públicas. A gente está retomando isso", afirmou.
O MGI estima que, nos próximos dez anos, a União deve perder outros 180 mil servidores que vão se aposentar. Diante desse cenário, Esther Dweck defendeu a realização de um Concurso Público Nacional Unificado a cada dois anos como ideal para a administração pública. "Desde que a gente pensou [o CPNU], ele deveria ser, no mínimo, a cada dois anos. Sempre vejo o modelo do Itamaraty como ideal, que é uma entrada de pouca gente todo ano. É muito bom para a administração pública ter certa previsibilidade", comentou.
Próximos passos do CPNU 2
Os candidatos agora aguardam os próximos passos do processo seletivo. Os resultados preliminares com o espelho da correção da prova discursiva serão publicados no dia 23 de janeiro, com prazo para recursos nos dias 26 e 27 do mesmo mês. A lista final dos aprovados está prevista para ser divulgada em 20 de fevereiro.
Antes disso, porém, há outras etapas importantes: entre 8 e 17 de dezembro ocorre o período para caracterização de deficiência e confirmação das vagas reservadas para pessoas negras, indígenas e quilombolas. Em 8 de janeiro será divulgado o resultado preliminar da avaliação de títulos, com recurso entre 9 e 12 de janeiro.
No dia 15 de janeiro sai o resultado preliminar das bancas de avaliação de autodeclaração para pessoas negras, indígenas e quilombolas, com prazo para recursos entre 16 e 19 de janeiro. Após a publicação da lista de aprovados em fevereiro, começará o processo de três chamadas, que se estende até 16 de março, quando iniciam as convocações para os cursos de formação ou para a posse nos cargos.

