O Governo do Paraná realizou nesta semana uma série de reuniões com comunidades indígenas para discutir sua participação no programa Rota Turística Caminhos do Peabiru. As consultas, que ocorreram no município de Turvo, na região Central do estado, fazem parte do processo de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), mecanismo que garante às comunidades tradicionais o direito de opinar sobre projetos que afetem seus territórios.
A iniciativa é conduzida pelas secretarias de Estado do Turismo (Setu) e do Planejamento (Sepl) e tem como objetivo construir, em conjunto com os povos originários, um plano de visitação para áreas que integram o histórico traçado da antiga trilha continental. O primeiro encontro aconteceu na terça-feira (10), com a comunidade Guarani Koe Jú Porã. Na quarta-feira (11), a agenda seguiu na Terra Indígena Marrecas, pertencente ao povo Kaingang.
Em ambos os casos, as comunidades manifestaram interesse em integrar a rota turística e concordaram em iniciar a elaboração de um plano de visitação para organizar a recepção de visitantes em seus territórios. O processo é mediado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Estadual de Maringá (Fadec-UEM), instituição contratada pelo Estado para conduzir o diálogo e estruturar o plano de acordo com as diretrizes da Instrução Normativa nº 03/2015 da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Durante os encontros, a equipe técnica apresentou a proposta da rota turística e explicou como funciona o processo de planejamento da visitação. A programação também incluiu momentos reservados para que as próprias comunidades discutissem internamente as propostas antes de apresentar suas decisões.
Segundo o secretário de Estado do Turismo, Leonaldo Paranhos, o envolvimento direto das comunidades indígenas é fundamental para o desenvolvimento responsável da rota. "O Caminhos do Peabiru é um dos maiores patrimônios históricos e culturais do Paraná. A participação das comunidades indígenas é essencial nesse processo. Não se constrói turismo de qualidade sem ouvir quem vive e preserva esses territórios", afirmou.
Para o secretário do Planejamento, Ulisses Maia, o processo reforça o potencial cultural da iniciativa. "Esse momento de consulta com as comunidades Guarani e Kaingang demonstra a representatividade da Rota Turística Caminhos do Peabiru como um marco de divulgação da cultura indígena, além de estimular o desenvolvimento do turismo e da economia local", disse.
Um dos principais pontos discutidos durante as reuniões foi o conceito de turismo de base comunitária, modelo no qual as próprias comunidades são responsáveis por definir como a atividade turística será realizada. Nesse formato, os moradores decidem quais atividades poderão ser oferecidas, em quais horários, quais espaços poderão ser visitados e quais regras devem ser seguidas pelos visitantes.
Também cabe às comunidades definir valores, normas de visitação e quais aspectos de sua cultura desejam compartilhar. Além do protagonismo local, o turismo de base comunitária prevê que os benefícios econômicos sejam distribuídos entre os moradores, fortalecendo o desenvolvimento coletivo.
Durante os encontros, os participantes receberam informações sobre turismo, hospitalidade, gastronomia, produção cultural e formas de organizar experiências de visitação. O objetivo é fornecer ferramentas para que cada comunidade construa seu próprio modelo de turismo, respeitando suas tradições e decisões internas.
Com a manifestação positiva das comunidades, o trabalho agora avança para a elaboração do plano de visitação, documento que irá definir de forma detalhada como será organizada a presença de visitantes nas áreas indígenas que integram o Caminhos do Peabiru. O processo inclui novas reuniões, oficinas de planejamento e momentos de discussão interna nas comunidades, que terão autonomia para definir oportunidades e limites da atividade turística.
O projeto Caminhos do Peabiru resgata antigas trilhas utilizadas por povos indígenas que atravessavam o território sul-americano, conectando o Oceano Atlântico ao Pacífico. Parte desse caminho histórico passa pelo Paraná e vem sendo estruturada pelo Estado como uma rota turística voltada ao turismo cultural, histórico e de natureza.
Com a organização do trajeto e o desenvolvimento de produtos turísticos associados à rota, a expectativa é ampliar o fluxo de visitantes interessados na história e nas culturas tradicionais, fortalecendo o turismo regional. O projeto é executado pela Secretaria de Estado do Turismo e pela Secretaria de Estado do Planejamento em parceria com o Paraná Projetos e conta com a participação das Instâncias de Governança Regional (IGRs).

