O cenário agrícola do Paraná no final de janeiro é marcado por um ritmo acelerado da colheita da safra de verão 2025/26, mas também por desafios impostos por um clima de forte contraste térmico e instabilidade. De acordo com o boletim que acompanha as condições de plantio e cultivo de grãos no estado, a colheita atingiu 14% da área de soja e 10% da de milho, avançando sob condições que exigem manejo qualificado dos produtores.
Em relação ao milho, a primeira safra avança para a fase de maturação e colheita, com produtividades superando as médias históricas em diversas regiões e apresentando grãos de boa qualidade. Simultaneamente, o plantio da segunda safra progride à medida que as áreas de verão são liberadas, apresentando boa germinação inicial. Esse movimento duplo – colher e plantar quase ao mesmo tempo – é característico da agricultura moderna no Brasil, que busca maximizar o uso da terra.
A colheita de soja já iniciou de forma lenta em alguns núcleos e apresenta ritmo acelerado em outros sob tempo seco, com expectativas de melhoria nas produtividades ao longo do avanço das máquinas. Em algumas regiões, há um cenário de estresse hídrico e altas temperaturas, o que exige atenção redobrada. O manejo qualificado por parte dos produtores torna-se crucial para garantir que as perdas sejam minimizadas e a qualidade dos grãos seja mantida.
Já a primeira safra de feijão encontra-se com a colheita praticamente concluída em diversas regiões, com mais de 90%, apresentando melhora nos resultados de produtividade e recuperação nos preços. No entanto, a segunda safra enfrenta um cenário diferente: embora a semeadura tenha iniciado conforme a liberação das áreas, o ritmo de plantio ainda está limitado pela escassez de umidade no solo. Essa falta de chuva pode comprometer o estabelecimento inicial das plantas, exigindo estratégias de irrigação onde possível.
No setor de hortaliças e frutas, o impacto do clima e do mercado exige estratégias de adaptação. As hortaliças de campo aberto, como alface e tomate, exigem atenção redobrada à irrigação devido à combinação de altas temperaturas e chuvas abaixo da média. Na região Sul, a safra de maçã apresenta produtividade elevada, um alento para os produtores. E a etapa de colheita da cebola foi finalizada com produtividades alinhadas às expectativas iniciais, indicando que, apesar dos desafios, algumas culturas conseguem se sair bem.
As atividades no segmento de batata para a segunda safra concentram-se na etapa de preparo de solo em diversas regiões. O setor mobiliza o maquinário para o recebimento das sementes, monitorando as condições de umidade residual para garantir a germinação adequada nas áreas destinadas ao plantio. E, por fim, a cultura da cana-de-açúcar mantém um desenvolvimento vegetativo vigoroso, beneficiada por manejos técnicos assertivos. A produção aproveita as janelas de sol e a umidade disponível para o acúmulo de biomassa, essencial para a produção de açúcar e etanol.
Ainda de acordo com a análise do Departamento de Economia Rural (Deral), baseada em dados meteorológicos do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a semana iniciou com calor intenso superior a 30°C no Oeste e Noroeste, seguido por tempestades severas que cruzaram o Estado no fim da semana passada, principalmente na quinta-feira (29). Esse padrão climático, com extremos de calor e chuva, exige comprometimento dos produtores para garantir a produtividade final. A instabilidade pode causar desde estresse nas plantas até danos físicos nas lavouras, tornando o monitoramento constante uma ferramenta indispensável.
O avanço da colheita, portanto, ocorre em um contexto de oportunidades e riscos. Enquanto algumas culturas, como milho e feijão de primeira safra, apresentam resultados positivos, outras, como a segunda safra de feijão, enfrentam obstáculos climáticos. A capacidade de adaptação dos agricultores paranaenses, aliada a tecnologias de manejo e monitoramento, será determinante para o sucesso desta safra, que promete ser marcada por contrastes tanto no campo quanto no clima.

