O diretor Esmir Filho detalhou o processo criativo da cinebiografia de Ney Matogrosso, intitulada "Homem com H", em entrevista à revista "GQ". Partindo da premissa de que "não há vida inteira que caiba dentro de um filme", o cineasta buscou um recorte que traduzisse a trajetória do músico para a linguagem cinematográfica.

O título do filme homenageia um artista que, segundo Filho, "sempre foi avesso à coreografia dos hábitos". A narrativa aborda como Ney "borrou qualquer fronteira entre o masculino e o feminino", atravessando gêneros para "mirar no bicho e quebrar preconceitos".

Esmir Filho enfatiza que o músico "não cabe em caixas porque foge do óbvio" e nunca temeu enfrentar "um país assombrado por imagens de controle e hipocrisia". A visão do diretor era criar uma jornada de liberdade e afeto que atravessasse os tempos, fazendo o público "sair do cinema com vontade de viver".

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Durante a pesquisa, o diretor encontrou um obstáculo significativo: os encontros com Ney revelaram lacunas e "coisas esquecidas pelo tempo" na memória do cantor. Enquanto essas omissões poderiam passar em um livro biográfico, um filme depende de diálogos e detalhes concretos.

Para superar esse desafio, Esmir Filho precisou se aproximar do artista para "preencher essas lacunas" e compreender profundamente como Ney pensava e sentia, garantindo que a cinebiografia capturasse a essência de um ícone que desafiou convenções sociais e artísticas ao longo de décadas.