A forte atuação de um ciclone extratropical sobre a região sul do país e o estado de São Paulo nesta semana continua a impactar a operação dos principais aeroportos da capital paulista. Nesta quarta-feira (11), a concessionária Aena, responsável pelo Aeroporto de Congonhas, confirmou o cancelamento de 66 chegadas e 51 partidas. Já a GRU, que administra o Aeroporto Internacional de Guarulhos, informou que 72 voos foram cancelados e outros 28 precisaram ser direcionados para outros aeroportos.

Segundo a Aena, os cancelamentos ocorrem "em razão das condições meteorológicas registradas ontem (10), com rajadas de vento acima de 90 km/h, e dos ajustes necessários à malha aérea". A empresa reforçou que a segurança dos passageiros e das operações é a prioridade, e que as decisões são tomadas em conjunto com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as companhias aéreas.

A região metropolitana de São Paulo segue sob a influência do fenômeno climático, que trouxe ventos fortes, chuva e instabilidade. A situação tem causado transtornos significativos para os passageiros. Em Congonhas, relatos de cansaço e falta de suporte por parte das aéreas têm se multiplicado nas redes sociais e em contatos com a imprensa. Muitos viajantes passaram horas aguardando informações sobre remarcações ou hospedagem, em um cenário de grande incerteza.

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Em resposta à crise, a Anac decidiu estender o horário de operação do Aeroporto de Congonhas até as 23h59, medida que visa acomodar os voos atrasados e facilitar a reorganização da malha aérea. A medida é temporária e busca aliviar a pressão sobre o terminal, que é um dos mais movimentados do país para voos domésticos.

Os cancelamentos e desvios em Guarulhos também refletem a gravidade da situação. O aeroporto, que é o principal gateway internacional do Brasil, teve que redirecionar voos para outros aeroportos, como os de Viracopos, em Campinas, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em um esforço para manter a fluidez do tráfego aéreo, mesmo que parcialmente.

Especialistas em meteorologia alertam que ciclones extratropicais desta intensidade são comuns no outono e inverno no sul do país, mas sua extensão até São Paulo pode causar impactos mais severos, especialmente em infraestruturas sensíveis como aeroportos. A previsão é de que as condições melhorem gradualmente ao longo dos próximos dias, mas a recomendaçãopara passageiros é de que verifiquem com as companhias aéreas o status de seus voos antes de se dirigirem aos aeroportos.

A situação serve como um alerta para a necessidade de planos de contingência mais robustos no setor aéreo brasileiro, especialmente em um cenário de mudanças climáticas que pode tornar eventos extremos mais frequentes. Enquanto isso, milhares de passageiros seguem aguardando uma normalizaçãona operação, na esperança de que o tempo dê uma trégua e permita a retomada segura das viagens.