O Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, viveu um dia de tensão e incertezas nesta quinta-feira (11), com passageiros irritados, desorientados e cansados aguardando uma solução das empresas aéreas para o cancelamento de seus voos. Até as 15h30, pelo menos 110 voos tinham sido cancelados no terminal devido aos ventos fortes que atingiram a Grande São Paulo por conta da passagem de um ciclone pela região.
Sentado no chão do terminal, enquanto sua esposa descansava deitada ao seu lado, o advogado Wagner Martins Pereira quase não conseguia contar sua história devido ao cansaço e à falta de voz. Na estrada desde a manhã de quarta-feira (10), o casal voltava de Gramado, no Rio Grande do Sul, para João Pessoa, na Paraíba. "Ainda em Porto Alegre, a Latam cancelou nosso voo e remarcou para hoje. Passamos a noite no aeroporto, dormindo no chão, porque a empresa não disponibilizou acomodação para nós. Chegamos hoje aqui em São Paulo e vamos esperar o dia inteiro porque nossa conexão para João Pessoa é só às 19h40. O esgotamento é absurdo e estamos loucos para chegar em casa. Espero que não cancelem nosso voo hoje, porque, pelo que escutei aqui, a situação só deve ser normalizada em três dias", denunciou.
A analista de Tecnologia da Informação Joice Emanuele Barbosa Gomes viajava com o noivo. O voo do casal para Recife estava marcado para as 21h de quarta-feira e foi remarcado para as 23h37. Eles embarcaram, mas a torre do aeroporto informou que a aeronave não poderia mais decolar por conta do horário em que os passageiros terminaram de se acomodar (meia-noite). "Ficamos até as 2h30 dentro do avião. Quando saímos, a fila estava quilométrica e ficamos no aeroporto até as 3h30. Fomos para uma pousada e voltamos às 11h30 e desde então estamos esperando na fila para tentar entender como isso será resolvido. A Azul não está nos dando a assistência necessária", criticou.
A consultora imobiliária Luciana Tenani veio a São Paulo com um grupo de 23 pessoas para uma confraternização da empresa onde trabalhavam marcada para às 17h de quarta-feira (10). O voo da Gol estava marcado para o período da manhã e o grupo só conseguiu embarcar à noite. Para voltar para o Rio de Janeiro, o horário previsto era às 10h de quinta-feira, mas a empresa remarcou para às 21h de sexta-feira, o que só foi descoberto quando eles já estavam no aeroporto. "Nos disseram que providenciarão acomodação para todos e estamos aqui para desenrolar isso. Todo mundo está irritado, porque está caótico. É uma falta de organização", disse.
Também passageiro da Latam, o analista de crédito Arlen Augusto Pereira pensa em processar a empresa pela perda de seus compromissos e a falta de suporte. "Cheguei aproximadamente às 3h e meu voo era às 7h, mas cancelaram. Foi remarcado para às 14h e, em seguida, recebi contato avisando que esse voo também foi cancelado. Agora, não tenho nenhuma notícia de remarcação. A única coisa que me deram foi um voucher para alimentação. Eu tinha compromisso em Goiânia e, pelo visto, não vou conseguir chegar a tempo. O suporte está muito ruim. Estou aqui há muito tempo sem nenhum tipo de ajuda", reclamou.
Latam, Gol e Azul disseram que os cancelamentos ocorreram por conta dos impactos meteorológicos registrados em São Paulo, portanto motivos alheios ao controle das companhias. A Latam admite que ainda há reflexos em sua operação no país e que precisou cancelar ou reprogramar voos desde quarta-feira (10) devido a essas condições climáticas adversas, especialmente nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos. A empresa orienta que os clientes consultem o status do voo antes de se dirigir ao aeroporto e alterem a viagem se necessário, podendo fazer isso pelo aplicativo ou site.
Para os clientes que não residem em São Paulo e necessitem de acomodação por conta de voos afetados, a orientação é a de que permaneçam na fila para atendimento ou reservem seu hotel e transporte por meios próprios, guardando o comprovante de pagamento para reembolso posterior. A companhia explica ainda que o cliente de voo com origem, destino ou conexão em São Paulo que não foi cancelado entre 10 e 12 de dezembro também pode alterar a data de sua viagem sem custo para viajar dentro dos próximos 15 dias.
A Gol informou que suas operações seguem regulares nos aeroportos de Congonhas (CGH) e Guarulhos (GRU). Acrescentou que alguns voos foram cancelados ou sofreram atrasos na quarta-feira (10), e que, como consequência da grande contingência de ontem, novos atrasos podiam ocorrer ao longo do dia de quinta-feira (11). A empresa permite que clientes impactados alterem seus voos sem custos adicionais, mantendo a mesma origem e destino, e não é necessário comparecer ao aeroporto para realizá-la.
A Azul afirmou que diversos voos precisaram ser cancelados ou alternados para outros aeroportos e que as alterações afetaram também voos em outras regiões, em função do sequenciamento das operações das aeronaves. A companhia ressalta que os clientes impactados estão recebendo a assistência prevista na Resolução nº 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em nota, a Azul diz que, por liberalidade, também está flexibilizando sua política de remarcação a fim de minimizar os impactos aos passageiros, permitindo alterações até o dia 18 de dezembro gratuitamente ou mantendo o crédito integral para uso em até um ano.

