O Paraná registrou uma redução de 41,65% nos incêndios florestais em 2025 em comparação com o ano anterior, segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR). O resultado, divulgado no relatório consolidado da Operação de Combate a Incêndios Florestais (OPCIF), é atribuído à maior incidência de chuvas e ao trabalho de conscientização da população. Enquanto em 2024 foram contabilizadas 8.246 ocorrências, neste ano o número caiu para 4.811.

Os números se referem ao período de cinco meses da operação, entre junho e outubro, e revelam que a maior parte dos incêndios, 21,61%, ocorreu em vegetação de terrenos baldios. O tenente-coronel Dimas Menegatti, chefe da Seção de Operações do CBMPR, explica que isso reflete a concentração urbana. “A maioria das ocorrências são nas áreas urbanas e em terrenos baldios. Então temos feito um trabalho junto às prefeituras dos municípios buscando conscientizar a população para manter a limpeza dos terrenos baldios e fazer a gestão correta do lixo, evitando princípios de incêndio”, afirma.

O 1º Comando Regional de Bombeiros Militares (CRBM), responsável por Curitiba e Região Metropolitana, liderou em número absoluto de ocorrências, com 1.621 casos, o que representa 33,69% do total. No entanto, o Norte do Paraná, atendido pelo 2º CRBM (que abrange Londrina, Santo Antônio da Platina, Apucarana e Ivaiporã), foi a região com maior incidência de incêndios florestais propriamente ditos, com 950 registros (19,74% do total). “O 2º CRBM abrange uma extensa área rural que sofre tanto com queimadas não planejadas, por conta do clima seco, como com aquelas feitas para preparação do solo para agricultura. Apesar da fiscalização dos órgãos ambientais, estas queimadas podem sair do controle e se alastrar”, ressalta Menegatti.

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Em seguida, aparecem o 4º CRBM (Maringá e região), com 810 ocorrências; o 3º CRBM (Cascavel e região), com 780; e o 5º CRBM (Ponta Grossa e região), com 650. A distribuição geográfica destaca os desafios regionais, com áreas urbanas enfrentando problemas em terrenos baldios e zonas rurais lidando com queimadas agrícolas e condições climáticas.

Diante do cenário em que mais de 90% dos incêndios florestais são causados por ação humana, o CBMPR tem investido em uma cultura de prevenção. Uma das iniciativas é a cartilha “Turma dos Guardiões da Floresta”, atualizada em 2025 em parceria com a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE) e outras instituições. Com linguagem simples e ilustrações, o material é voltado para crianças de até 10 anos, buscando sensibilizar famílias e criar uma cadeia de conscientização a longo prazo. A proposta é ampliar a distribuição em parceria com a Secretaria da Educação do Paraná.

Além da prevenção, a preparação e resposta rápida são fundamentais. O Paraná conta com 87 brigadas municipais, brigadistas em unidades de conservação, brigadas de montanhistas e brigadas quilombolas, somadas ao treinamento contínuo dos bombeiros. Em 2025, o CBMPR reforçou seu arsenal com novas viaturas e equipamentos, como sopradores, kits pickup e compressores de ar, distribuídos por todo o estado.

Outro avanço destacado por Menegatti é o uso de aeronaves. Um avião de combate a incêndios, em parceria com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC), e o helicóptero Arcanjo 01, equipado com um helibalde de 550 litros de água, têm sido empregados em ocorrências de grande vulto. Em setembro, por exemplo, o Arcanjo 01 foi usado no combate a um incêndio florestal na região de Londrina, apenas dois dias após sua entrega pelo Governo do Paraná.

“Esta soma de treino contínuo, conscientização da população, novos equipamentos, emprego das aeronaves e a integração com a Defesa Civil, órgãos ambientais, prefeituras e com brigadistas voluntários foi muito importante para o sucesso da Operação de Combate a Incêndios Florestais em 2025”, conclui o tenente-coronel. Os resultados mostram que a combinação de fatores naturais, como as chuvas, com ações humanas de educação e infraestrutura pode gerar impactos positivos significativos na preservação ambiental e na segurança pública.