O pátio de descarregamento em Rio Bonito do Iguaçu se transformou em um palco de emoções na última quinta-feira (20), quando as primeiras estruturas de casas pré-moldadas chegaram ao município paranaense. O momento marcou o início da entrega das 320 moradias que vão abrigar famílias que perderam tudo com o tornado do último dia 7 de novembro.
Entre os mais emocionados estava o caminhoneiro Orlando Marçal, que há 47 anos cruza as estradas do Brasil. Acostumado a transportar todo tipo de carga, ele não escondeu a comoção ao falar sobre esta viagem em particular. "Essa aqui é especial. É muito sofrido, esse povo perdeu tudo. Saber que a gente está trazendo esperança é diferente. As pessoas que perderam tudo agora vão ter uma casinha para retornar", contou o motorista, que já participou de outras operações emergenciais, como a de São Sebastião (SP).
O também caminhoneiro Edmilson Aparecido de Oliveira, de 56 anos, não conteve as lágrimas ao descer da cabine. "É gratificante. A gente sabe que está fazendo parte da reconstrução de vidas. Já ajudei em outras tragédias, mas aqui mexeu comigo", disse ele, que imagina contar aos netos sobre sua participação neste momento histórico para a comunidade.
As casas são produzidas pela empresa Tecverde usando o sistema woodframe, que reduz significativamente o tempo de construção. O gerente-geral de obras, Leandro Moraes, explica que o processo funciona como uma linha de produção eficiente. "Primeiro é feita a fundação rasa, que já recebe embutidas as instalações elétricas, hidráulicas e de gás. Após três dias de cura do concreto, as paredes, que também chegam prontas, com esquadrias e instalações, são montadas", detalha o profissional.
O investimento total do Governo do Paraná nas 320 moradias é de R$ 44 milhões. As primeiras unidades saíram de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, e serão instaladas tanto nos terrenos das próprias famílias quanto em área doada pela prefeitura.
O governador Carlos Massa Ratinho Junior celebrou o marco: "Essas casas carregam muito mais do que madeira e concreto. Elas carregam solidariedade, carinho e a vontade de todo o Paraná, e de todo o Brasil, de ajudar Rio Bonito a se reerguer". O chefe do executivo estadual destacou a agilidade dos trabalhos, lembrando que "cada caminhão que chega, cada casa que começa a subir, é a prova de que ninguém está sozinho nessa reconstrução".
Paralelamente à chegada das estruturas habitacionais, começou a distribuição dos primeiros Cartões Reconstrução, benefício de até R$ 50 mil destinado à reposição de materiais e contratação de mão de obra. As medidas integram a etapa de reconstrução que se inicia após a conclusão do atendimento emergencial às vítimas do tornado.
Para Moraes, da Tecverde, o trabalho em Rio Bonito do Iguaçu tem um significado que vai além da construção civil. "É mais do que construir casas. É fazer parte de uma história de recuperação. É algo muito gratificante", reflete o gerente, enquanto as primeiras famílias começam a vislumbrar a possibilidade de retornar para um lar digno.

