O Cine Teatro Fênix, em Apucarana, foi palco de uma tarde inesquecível neste sábado (12), marcada por lágrimas, sorrisos, aplausos e muita emoção. Ao som da tradicional marcha nupcial, 74 casais disseram o tão aguardado "sim" durante uma grande celebração de casamento coletivo, promovida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR), por meio do Programa Justiça no Bairro, em parceria com a Fecomércio, Sesc, Senac, Cartório do Registro Civil e Prefeitura de Apucarana. A cerimônia, repleta de simbolismo, contou com todos os elementos de um casamento tradicional: trajes especiais, maquiagem, buquês, padrinhos, decoração, bênção ecumênica, troca de alianças e o registro civil oficial da união. O evento foi conduzido pela desembargadora Joeci Camargo, vice-presidente do TJ-PR e idealizadora do programa Justiça no Bairro, e reuniu 54 casais de Apucarana e 20 de Arapongas. Além da celebração formal, a tarde foi marcada por momentos profundamente emocionantes, especialmente quando alguns casais subiram ao palco para compartilhar suas histórias de amor, superação e recomeço. Uma das histórias que mais tocou o público foi a de Aparecida de Fátima Sobral, de 75 anos, e João Maria Batista, de 79. Após 44 anos casados e 13 anos separados, decidiram reatar a união e oficializar novamente o casamento. O casal, que tem seis filhos, 32 netos e 33 bisnetos, arrancou aplausos e lágrimas dos presentes ao relatar sua trajetória. “Foi uma emoção perfeita”, disse a desembargadora Joeci Camargo. “Poder conversar com cada casal, ouvir seus sonhos, ver o brilho no olhar de cada um... isso não tem preço. É uma felicidade imensa retornar a Apucarana, cidade onde comecei minha carreira na magistratura há mais de 30 anos.” A cerimônia também contou com o envolvimento da comunidade local. A Banda Municipal Maestro João Florindo embalou os momentos mais marcantes, como a troca de alianças ao som de “Como é grande o meu amor por você”, de Roberto Carlos. A bênção ecumênica foi conduzida pelo pastor Valdevino Batista Carneiro, da Comunidade Cristã Maná, e pelo padre Junior de Rocha Fagioli, da Catedral Nossa Senhora de Lourdes, reforçando o espírito de união, respeito e acolhimento entre religiões. Entre os padrinhos do casamento coletivo estiveram o prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota, e a primeira-dama, Karine Mota, que expressaram gratidão por participar do evento. “Eu e a Karine fazemos parte agora da vida desses 74 casais como seus padrinhos. É uma felicidade imensa. Muitos já viviam juntos, em união estável, e agora formalizaram seu compromisso diante da lei, da família e da comunidade. É um momento de esperança, de valorização da família, da cidadania”, afirmou o prefeito. Rodolfo Mota também fez questão de homenagear a desembargadora Joeci. “A doutora Joeci realiza esse programa em vários municípios. Aqui em Apucarana já são mais de dez anos de parceria. Tenho muito orgulho de conhecê-la desde a época em que fui seu aluno, e agora estar ao seu lado como prefeito é uma honra. Seu trabalho leva cidadania, acolhimento e dignidade para quem mais precisa.” Joeci Camargo, por sua vez, agradeceu aos parceiros envolvidos na realização do evento, mencionando a secretária municipal de Assistência Social, Fabíola Carrero, os gerentes do Sesc e Senac, Ronaldo Romani Ficagno e Lucas Salvalaggio, e o presidente da Câmara Municipal, Danylo Acioli. Ela também valorizou o trabalho das maquiadoras voluntárias, dos registradores civis e de toda a equipe de apoio. O programa Justiça no Bairro tem como objetivo principal promover o acesso à justiça e à cidadania de forma gratuita e descentralizada, oferecendo serviços como emissão de documentos, orientações jurídicas e, entre eles, o tão sonhado casamento civil. Para muitos casais, trata-se da realização de um desejo antigo, muitas vezes adiado por falta de recursos. Abaixo, um panorama dos casais participantes: Com o Cine Teatro completamente lotado por familiares, amigos e apoiadores, a cerimônia foi mais do que uma formalidade jurídica: foi uma verdadeira celebração do amor em suas diversas formas, idades e histórias. O casamento coletivo mostrou que nunca é tarde para recomeçar, para fortalecer laços e para escrever novos capítulos a dois. Em tempos em que a burocracia e as dificuldades financeiras ainda afastam muitos brasileiros do acesso à justiça e à formalização de seus direitos, eventos como esse representam não apenas um gesto de carinho e solidariedade, mas uma ação concreta de cidadania. E em Apucarana, neste 12 de abril, 74 histórias foram eternizadas — cada uma com seu enredo único, mas todas unidas pelo mesmo final feliz.
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