Walter Casagrande Jr. é uma figura que transcende o esporte. Ex-atacante do Corinthians, comentarista esportivo e escritor, ele agora se prepara para uma nova experiência: subir ao palco para contar sua própria história no monólogo "Na Marca do Pênalti". A peça estreia nacionalmente na programação da Mostra Lúcia Camargo do Festival de Curitiba, nos dias 3 e 4 de abril, às 20h30, no Teatro Guaíra.

A apresentação é dividida em "dois tempos" de 45 minutos, como uma partida de futebol, e tem direção de Fernando Philbert. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, não há um roteiro rígido. "O meu forte é a espontaneidade, ser eu mesmo, chegar na frente das pessoas e falar a verdade, sem roteiro. Eu não preciso de um roteiro. A minha vida eu tenho na cabeça. O que eu passei, o que eu fiz, o que eu deixei de fazer, as loucuras que aconteceram comigo, o fundo do poço, as glórias, as felicidades", explica Casagrande, conhecido como Casão.

O título da peça, segundo o próprio, foi uma ideia sua. "Quantas decisões importantes na vida você teve que tomar? Diariamente, nós ficamos na marca do pênalti. Não tem a ver com futebol, tem a ver com a vida". Essa metáfora futebolística para as encruzilhadas da existência humana promete guiar o espetáculo, que mistura humor, drama e reflexão.

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A trajetória de Casagrande é rica em episódios marcantes. Atacante brigador e ídolo de uma das maiores torcidas do país, ele foi, ao lado de Sócrates e Wladimir, a face pública da Democracia Corinthiana. Esse movimento, nos anos 1980, ajudou a impulsionar as Diretas Já e a redemocratização do Brasil, mostrando como o futebol pode se entrelaçar com a política de forma profunda.

Depois da carreira nos gramados, Casão se tornou um dos mais respeitados comentaristas esportivos do país, conhecido por suas opiniões contundentes. Paralelamente, travou uma batalha pública contra a dependência química, tema que aborda abertamente em seus livros e que certamente estará presente no palco.

"Na peça, vai rolar uma energia fortíssima, porque eu gosto da interação com a plateia. O público, nesse monólogo, se identifica com muitas coisas. Quase todas as famílias têm alguém com dependência química, ou um amigo. Você tem conhecidos que passam pela mesma coisa que eu passei. Eu começo contando a minha história, mas eu acho que quarenta minutos depois, trinta minutos depois, vira a nossa história", afirma o ex-jogador.

Casagrande já é autor de três livros, todos em parceria com o jornalista Gilvan Ribeiro: "Casagrande e seus Demônios", que cobre da infância ao pesadelo do vício em drogas, passando pelo ápice como jogador; "Sócrates e Casagrande – Uma história de amor", sobre os bastidores de uma das maiores dobradinhas do futebol brasileiro; e "Travessia", que fala do tratamento e do difícil caminho da ressocialização. Essas obras servem como base para o monólogo, mas a apresentação promete ir além, com a improvisação característica de Casão.

O espetáculo integra a Mostra Lúcia Camargo do Festival de Curitiba, que é apresentada por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, com patrocínio de EBANX, Viaje Paraná e Copel. A realização é do Ministério da Cultura e Governo Federal, com o slogan "Do lado do povo brasileiro".

Serviço

"Na Marca do Pênalti" tem apresentações nos dias 3 e 4 de abril de 2026 (sexta e sábado), às 20h30, no Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão), localizado na Rua Conselheiro Laurindo, 175, no Centro de Curitiba. A classificação é 14 anos, o gênero é monólogo teatral e a duração é de 90 minutos. Os ingressos custam R$ 85,00 (inteira) e R$ 42,50 (meia-entrada), com vendas no site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller.

Para quem acompanha a carreira de Casagrande ou se interessa por histórias de superação, futebol e política brasileira, o monólogo promete ser uma experiência intensa e catártica, mostrando que, na marca do pênalti da vida, cada escolha conta.