A estratégia adotada pelas forças de segurança durante o Carnaval de São Paulo mostrou resultados concretos na proteção dos foliões que celebraram a festa nas ruas da capital paulista. Entre os dias 13 e 17 de fevereiro, as Polícias Civil e Militar realizaram 94 prisões por crimes como furto, roubo, adulteração de bebidas e outros delitos que costumam se aproveitar da aglomeração típica da data.
A Polícia Civil foi responsável por 52 dessas detenções, com destaque para a atuação do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Os agentes adotaram uma abordagem inusitada: disfarçados, se infiltraram nos blocos carnavalescos com o objetivo de prevenir e combater crimes de forma direta. A tática revelou-se eficaz em diversas situações registradas durante o período.
Uma das ocorrências que chamou atenção aconteceu no sábado, 14 de fevereiro, em um bloco na região da República, no centro de São Paulo. Policiais fantasiados de personagens do desenho Scooby-Doo prenderam três criminosos que se aproveitavam da multidão para furtar celulares. Ao todo, oito aparelhos foram recuperados com o trio e serão devolvidos aos seus donos.
A criatividade no disfarce continuou no domingo, 15 de fevereiro, quando policiais civis vestidos de Minions prenderam quatro suspeitos nos blocos da República e do Ibirapuera. Em uma das ações, um dos criminosos foi flagrado no momento exato em que furtava o celular de um folião. O aparelho foi imediatamente restituído à vítima, demonstrando a eficiência da abordagem próxima e discreta.
Enquanto a Polícia Civil atuava com disfarces, a Polícia Militar mobilizou uma estrutura maciça durante o período carnavalesco. A corporação colocou mais de 5 mil agentes nas ruas por dia e registrou 42 prisões apenas no último fim de semana de festa. Considerando também o pré-Carnaval, nos dias 7 e 8 de fevereiro, o número total de detenções pela PM chegou a 57, incluindo oito procurados pela Justiça que foram capturados, conforme levantamento da Coordenadoria Operacional da PM (CoordOp).
A PM também contabilizou 22 ocorrências de furto de celular, seis de roubo de celular, cinco de agressão, 18 de perturbação de sossego e dez relacionadas ao tráfico de drogas. Um caso emblemático resultou na prisão de um homem que vendia doces com maconha em um bloco no Parque Ibirapuera. A ação foi possível graças ao auxílio de drones da PM que monitoravam a área, oferecendo uma visão aérea estratégica para identificar comportamentos suspeitos.
A tecnologia desempenhou papel fundamental na segurança do Carnaval paulistano. O sistema Muralha Paulista, que opera quase 100 mil câmeras interligadas com tecnologia de reconhecimento facial, auxiliou diretamente na captura de oito procurados pela Justiça durante o feriado. O programa cruza informações com o Banco Nacional de Mandados de Prisão e utiliza algoritmos para identificar automaticamente foragidos que circulam em áreas monitoradas.
Uma das prisões facilitadas pelo sistema ocorreu no Sambódromo do Anhembi, principal palco do Carnaval de São Paulo. As equipes de segurança receberam um alerta emitido pelo Muralha Paulista sobre a presença de um foragido por agressão que tentava acessar um dos portões do espaço. O homem foi rapidamente abordado e detido antes que pudesse se misturar à multidão.
Outro caso aconteceu na Praça da República, quando o sistema identificou um homem procurado desde maio do ano passado. O alerta foi direcionado às equipes do 7º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), que estavam mais próximas do suspeito. Mesmo em meio à aglomeração típica do Carnaval, o homem foi localizado e conduzido à delegacia, onde permaneceu preso.
O Muralha Paulista representa uma evolução na segurança pública paulista, integrando leitores de placas, equipamentos de reconhecimento facial e dispositivos de monitoramento em tempo real. A tecnologia contribui para restringir rotas de fuga, dificultar a movimentação de criminosos e ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança. Segundo especialistas, quando identificados e presos rapidamente, os autores de crimes têm menor chance de reincidir, criando um ciclo virtuoso de prevenção.
A combinação entre abordagens tradicionais – como o policiamento ostensivo – e inovações tecnológicas mostrou-se eficaz durante o Carnaval de São Paulo. Enquanto agentes disfarçados garantiam proteção próxima aos foliões, sistemas de monitoramento ampliavam o alcance da vigilância. O resultado foi um feriado com menos incidentes graves e a sensação de segurança necessária para que milhões de pessoas pudessem celebrar uma das maiores festas populares do país.

