Carlos Figueiredo recebe Comenda Dom Filó em Curitiba
Referência do movimento negro em Apucarana, Figueiredo é homenageado por sua luta por igualdade racial no Sul do Brasil
Foto: Arquivo
No último dia 13 de maio, o Teatro SESC da Esquina, em Curitiba, foi palco de uma homenagem marcante. Em uma cerimônia carregada de emoção e significado histórico, o ativista Carlos Figueiredo, liderança do Movimento Negro de Apucarana (PR), recebeu aComenda - Dom Filó, reconhecimento destinado a personalidades que se destacam na luta por igualdade racial e promoção da cultura negra no Brasil.
A honraria, entregue na Rua Visconde do Rio Branco, 969, no bairro Mercês, foi concedida a Figueiredo por sua trajetória de mais de duas décadas em defesa dos direitos da população negra, especialmente no interior do Paraná. Atualmente, ele é presidente da associaçãoDiversidade Cultural Plurale vice-coordenador daPastoral Afro Brasileirada Diocese de Apucarana. Por mais de 20 anos, também esteve à frente do MACONE — Movimento da Consciência Negra de Apucarana.
Em suas redes sociais, com apoio do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Vestuário de Apucarana e Região (Stivar), Figueiredo compartilhou um texto profundo, que reflete sobre o significado da data de sua homenagem: o 13 de maio — dia da abolição da escravatura no Brasil. Para ele, a data não marca a liberdade definitiva, mas sim o início de uma jornada inacabada.
Carlos Figueiredo tem sido voz ativa em debates sobre políticas de ações afirmativas, preservação da memória afro-brasileira e combate ao racismo estrutural. Sua atuação vai além das fronteiras de Apucarana e ressoa em iniciativas nacionais.
Em sua publicação, Figueiredo fez duras reflexões:
Segundo ele, cultivar a consciência negra é um compromisso com a valorização de um povo “tradicional e culturalmente rico, que foi brutalmente sequestrado da África — reis e rainhas tratados como mercadorias”.
O ativista também fez questão de citar duas figuras históricas: Martin Luther King e Nelson Mandela. Para ele, a esperança está em ensinar o amor, como propôs Mandela, e não tolerar o “entendimento superficial” que, segundo King, pode ser ainda mais prejudicial do que o próprio ódio declarado.
A comenda recebida por Carlos leva o nome deAsfilófio de Oliveira Filho, conhecido nacionalmente comoDom Filó, uma das maiores referências na valorização da cultura negra no país. Dom Filó é produtor cultural, documentarista, jornalista e fundador daCultne, o maior acervo audiovisual negro da América Latina.
Com mais de 40 anos de atuação nas áreas de Cultura, Esporte, Marketing e Comunicação, Dom Filó também criou aCultne TV, a primeira emissora brasileira com programação 100% voltada à cultura negra.
Em 2020, foi agraciado com a Medalha Pedro Ernesto pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro e, em 2025, será homenageado pelaOrdem do Mérito Cultural, por indicação da ministra Margareth Menezes.
A comenda que leva seu nome é uma celebração simbólica de trajetórias que, como a de Carlos Figueiredo, ajudam a reconstruir o Brasil com mais dignidade, justiça e reconhecimento às raízes africanas que fundam a nação.
A cerimônia em Curitiba foi mais do que uma homenagem. Foi uma afirmação: de que a luta antirracista precisa de continuidade, de visibilidade e de engajamento de toda a sociedade.
Carlos Figueiredo, com sua fala firme e sensível, representa uma geração que não aceita o silêncio diante das desigualdades. Para ele, a verdadeira abolição ainda está por vir.
A homenagem, assim, se transforma em combustível. Um impulso para que novas lideranças negras se levantem, inspiradas por trajetórias como a de Carlos, que não apenas denunciam, mas propõem, constroem e resgatam.
O reconhecimento de Carlos Figueiredo, com a Comenda Dom Filó, é mais que uma homenagem: é a reafirmação de uma história que precisa ser contada, ouvida e respeitada. Uma história preta, brasileira, viva e em marcha.
Fonte:
Arquivo Histórico

