O basquete brasileiro está de luto. Cláudio Mortari, um dos técnicos mais vitoriosos e respeitados da história do esporte no país, faleceu na última quarta-feira (25) em São Paulo, aos 75 anos. A informação foi confirmada pela família através de postagens nas redes sociais.

Com uma carreira que se estendeu por mais de quatro décadas, Mortari deixou marcas profundas no basquete nacional. Seu legado inclui conquistas de expressão internacional, como o título do Campeonato Mundial Interclubes de 1979 pelo Esporte Clube Sírio, e a honra de comandar a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Moscou em 1980.

O presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Marcelo Sousa, não poupou elogios ao se pronunciar sobre a perda. "Mortari foi um grande ídolo da nossa história. Um técnico de incrível qualidade tática, campeão. Mas, como pessoa, ainda melhor. Um gentleman, um professor. De uma educação e amizade incríveis. O mundo perde demais sem o Cláudio Mortari. O basquete perde um personagem e ídolo e nós perdemos um amigo. Um beijo na família, nos filhos. Vai-se o homem, fica a lenda. Descanse em paz e o risco por tudo que fez por aqui", declarou emocionado.

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Nascido em 15 de março de 1948 na capital paulista, Mortari construiu sua trajetória com passagens por alguns dos clubes mais tradicionais do país. Sua lista de conquistas inclui títulos brasileiros pelo Palmeiras (1977) e Rio Claro (1995), mas foi à frente do Sírio que ele escreveu seus capítulos mais gloriosos.

Comandando um elenco histórico que contava com lendas como Oscar Schmidt, Marcel de Souza e Marquinhos Abdalla, Mortari liderou o Sírio ao título mundial de clubes em 1979, além de três conquistas do Campeonato Sul-Americano e três títulos brasileiros (1978, 1979 e 1983). Essa era de ouro do clube paulista tem o nome do técnico gravado com letras douradas.

Sua versatilidade e competência o levaram a comandar uma impressionante variedade de equipes ao longo dos anos. Entre os clubes que tiveram Mortari no banco estão Bradesco, Corinthians, Pirelli, Telesp, Mogi das Cruzes, Mackenzie, Flamengo, Campos, Paulistano, São Bernardo e Esporte Clube Pinheiros.

Pelo Pinheiros, já em fase mais avançada da carreira, Mortari conquistou um dos títulos mais importantes do basquete continental: a Liga das Américas de 2013, demonstrando que sua capacidade tática e liderança permaneciam intactas mesmo após décadas de estrada.

A notícia do falecimento repercutiu fortemente no meio esportivo, com diversas personalidades do basquete brasileiro prestando homenagens ao técnico. Mortari deixa um legado que vai muito além dos títulos e conquistas: deixa a memória de um profissional íntegro, um professor do esporte e, acima de tudo, um ser humano exemplar que marcou gerações de atletas e colegas de profissão.