Enquanto a maioria dos estudantes brasileiros percorre ruas e estradas para chegar à escola, um grupo de 179 alunos paranaenses tem uma rotina diferente: eles trocam o ônibus pelo barco todos os dias. São estudantes de comunidades ribeirinhas e litorâneas que dependem do transporte escolar aquaviário para ter acesso à educação em locais onde o caminho só existe pela água.
O programa é uma parceria do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Educação (Seed-PR), governo federal e municípios, garantindo atendimento a todos os estudantes da rede estadual, municipal ou conveniada que residem em localidades onde exista o obstáculo geográfico natural da água, como mar, baías ou rios, entre a residência e a escola.
O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, destaca que o transporte escolar aquaviário é uma importante alternativa para um estado com paisagens diversificadas como o Paraná. "O Paraná tem muitas comunidades localizadas às margens de rios, lagos e do mar, e é papel do Governo garantir que esses alunos também tenham acesso à escola com segurança e regularidade. O transporte escolar aquaviário assegura esse direito e hoje beneficia estudantes de 23 escolas da rede estadual", explica.
O serviço é dividido em duas modalidades: o transporte marítimo, que atende 152 estudantes residentes na região de Guaraqueçaba, Paranaguá e Pontal do Paraná, e o transporte fluvial, que beneficia 27 alunos de áreas ribeirinhas do Rio Paraná, nos municípios de Porto Rico, São Pedro do Paraná e Querência do Norte. As embarcações realizam aproximadamente 26 horas de deslocamento por dia no litoral e 12 horas na região noroeste.
Claudia Akel, chefe do Departamento de Transporte Escolar do Instituto Fundação Educacional do Paraná (Fundepar), explica que o transporte escolar aquaviário representa um grande avanço na garantia do direito à educação. "Ele assegura que os nossos alunos não tenham barreiras geográficas para chegar ao estabelecimento de ensino. No Paraná, nenhum aluno fica para trás", afirma.
A implantação do serviço trouxe uma nova realidade para estudantes de algumas regiões. "Nossa grande conquista foi em 2022, quando conseguimos implantar o transporte aquaviário em Paranaguá, onde os alunos da Ilha do Amparo e Ilha Piaçaguera, que antes encerravam os estudos ao concluir o Ensino Fundamental, passaram a ir ao continente para concluir o período da educação", conta Claudia.
O serviço conta com recursos do Estado, repassados por meio do Programa Estadual do Transporte Escolar (Pete) e da União, por meio do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (Pnate), além de recursos dos próprios municípios. Em 2024, foram repassados R$ 1,6 milhão para a aquisição de novas embarcações em Paranaguá e São Pedro do Paraná.
A diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona, afirma que essa união das esferas públicas garante o aprendizado a alunos de todas as regiões do Estado. "É um trabalho que exige planejamento, investimento e parceria com os municípios para garantir segurança e qualidade no deslocamento dos alunos", explica Eliane.
A realidade dos estudantes que dependem do transporte aquaviário vai além do simples deslocamento. Mariele de Lara Gonçalves, pescadora e estudante de pedagogia que mora em Taquanduva, aldeota de Guaraqueçaba, tem três filhas que utilizam o serviço marítimo para chegar à Escola Estadual do Campo Ilha Rasa. "Às vezes a maré recua e impede que o barco chegue no ponto de partida, mas assim que ela volta a encher, se ainda for em horário de aula, o barco vem buscar mais tarde e eles conseguem ir para a escola. O diretor entende a situação e fala para irem para a aula, mesmo, atrasadas", relata.
No Colégio Estadual Manoel Romão Netto, em Porto Rico, o serviço foi otimizado este ano com a implementação de barcos com cabines fechadas no lugar dos abertos, protegendo os alunos da chuva e do vento. Gabriel Barbosa Matanovic, aluno do 7º ano de 13 anos, afirma que isso melhorou muito o transporte, sem perder o prazer de observar os peixes do Rio Paraná durante os dez minutos do trajeto.
O transporte escolar aquaviário no Paraná mostra como políticas públicas adaptadas às realidades locais podem garantir o direito fundamental à educação, superando barreiras geográficas e levando conhecimento aonde as estradas não chegam.

