As cidades litorâneas mais próximas da capital paulista, especialmente na Baixada Santista, concentram a maior parte das praias em condições impróprias para banho de mar no estado de São Paulo. Segundo o boletim de balneabilidade mais recente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), divulgado nesta semana, 24 praias paulistas estão classificadas como inadequadas para os banhistas, sendo 15 delas localizadas na região da Baixada Santista.

O levantamento semanal, que monitora a qualidade da água em pontos predeterminados a cerca de um metro de profundidade, revela um cenário preocupante nas praias mais frequentadas por turistas da Grande São Paulo. Em São Vicente, três das seis praias do município estão impróprias. Já em Santos, quatro das sete praias avaliadas não apresentam condições adequadas para o banho. A situação se repete em Praia Grande, onde cinco das 12 praias são consideradas impróprias.

Na Baixada Santista, Guarujá registra duas praias impróprias entre as sete monitoradas, enquanto Itanhaém tem apenas uma praia inadequada em um total de 12. No Litoral Norte, outras nove praias também não são recomendadas para banho: uma em São Sebastião, duas em Caraguatatuba, três em Ilhabela e três em Ubatuba, entre as 105 praias monitoradas na região.

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"A água aparentemente limpa pode estar imprópria. Por isso, o monitoramento é essencial para orientar a população e apoiar a gestão pública", explica Claudia Lamparelli, gerente do Setor de Águas Litorâneas da Cetesb. A especialista reforça que a condição de contaminação, que se repete por décadas, tem como origem a falta de condições sanitárias ideais e de estrutura para lidar com o aumento de emissões de esgoto durante o período de férias, quando as regiões recebem centenas de milhares de turistas.

As medições da Cetesb têm como foco a presença de enterococos, tipo de bactéria que serve como marcador de presença de esgoto na água. Os enterococos são bactérias comuns, presentes no trato gastrointestinal humano e de diversos animais domésticos ou de criação. A presença elevada de colônias deste tipo de bactéria aumenta significativamente o risco de doenças de pele, diarreias e outras infecções entre os banhistas.

Os critérios técnicos da companhia estabelecem que uma praia é considerada imprópria quando duas ou mais amostras de água das últimas cinco semanas superam 100 colônias de enterococos por 100 mililitros (ml), ou quando a coleta mais recente ultrapassa 400 colônias por 100 ml. A coleta é realizada semanalmente seguindo protocolos padronizados para garantir a comparabilidade dos resultados.

A Cetesb faz ainda outras recomendações importantes para a segurança dos banhistas. O órgão alerta para evitar o banho de mar por pelo menos 24 horas após chuvas fortes, mesmo em praias classificadas como próprias. "Canais, rios e córregos que deságuam na praia também devem ser evitados, pois podem receber esgoto irregular", destaca o comunicado oficial da companhia.

Segundo a secretaria de saúde do estado, águas contaminadas podem expor os banhistas a bactérias, vírus e protozoários causadores de diversas doenças. Crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade são os grupos mais suscetíveis a desenvolver problemas de saúde após o contato com água contaminada.

O boletim completo com as condições de balneabilidade de todas as praias paulistas pode ser consultado no site da Cetesb, onde são disponibilizadas informações atualizadas semanalmente. Das 175 praias monitoradas no estado, 151 continuam classificadas como próprias para banho, mas a concentração de problemas na Baixada Santista preocupa autoridades e especialistas em saúde pública.