O projeto que já conquistou os curitibanos ao levar a arte para além dos muros do Museu Oscar Niemeyer agora prepara uma nova aventura. O MON sem Paredes – Arte ao Ar Livre, que desde 2024 transformou os jardins do museu em galeria a céu aberto, vai expandir seus horizontes e chegar ao Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa. A inauguração está marcada para o dia 25 de fevereiro, às 15h, em uma iniciativa que promete unir arte contemporânea e patrimônio natural em uma experiência única no Paraná.

A nova fase do projeto, batizada de MON sem Paredes – Vila Velha, é uma realização do Governo do Paraná por meio do Instituto Água e Terra (vinculado à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável) e do próprio Museu Oscar Niemeyer, com a parceria operacional da Soul Parques, empresa que administra o parque. A curadoria fica por conta de Marc Pottier, enquanto o conceito é assinado por Fernando Canalli.

Para Luciana Casagrande Pereira, secretária de Estado da Cultura, a iniciativa simboliza um compromisso maior. "Levar obras de arte para o Parque Estadual de Vila Velha por meio do MON sem Paredes é ampliar o acesso à cultura e integrar arte, patrimônio natural e território", afirma. "Essa iniciativa é exemplo do compromisso do Governo do Paraná em descentralizar as políticas culturais e garantir que a arte esteja presente em diferentes espaços do Estado".

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Juliana Vosnika, diretora-presidente do MON, vê nessa expansão um marco histórico para a instituição. "Com esta realização, o MON inaugura um novo capítulo de sua história, utilizando toda a sua expertise para alcançar públicos e espaços ainda mais novos, disseminando arte", diz. Ela ressalta que o projeto original, lançado no ano passado, foi um sucesso imediato ao criar um convite permanente para a interação com a arte na área externa do museu, inspirando o público a adentrar seu espaço.

Agora, o objetivo é replicar essa magia em um cenário completamente diferente. "O projeto, agora em uma nova fase, em consonância com o objetivo do governo estadual de disseminar arte e cultura a todo o Paraná, leva até o Parque Vila Velha uma inédita intervenção artística em parceria com o Museu", complementa Juliana.

A diretora vai além e conecta a iniciativa com questões de bem-estar coletivo. "Quando levamos obras de arte até onde está a população, além de sensibilizarmos o grande público, que talvez não tenha o hábito de entrar num museu, oferecemos um ambiente de pausa, de desaceleração, de reconexão interior", reflete. "Entendemos que cada vez mais a arte ajuda na saúde".

Juliana cita que já é prática entre alguns profissionais da saúde prescrever visitas a museus como parte de tratamentos, e que pesquisas nas áreas de psicologia, arteterapia e estudos culturais comprovam benefícios como redução do estresse, estímulo a emoções positivas e promoção do bem-estar geral. "Além de fortalecer a identidade e o sentido de pertencimento, a arte permite conexões com cultura, memória e narrativas coletivas, elementos fundamentais para o bem-estar psicológico", argumenta.

O palco escolhido para essa fusão entre arte e natureza não poderia ser mais especial. O Parque Estadual de Vila Velha é uma das mais importantes unidades de conservação ambiental do Brasil, tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Paraná. Seu cenário é dominado pelos famosos arenitos, formações rochosas milenares que criam um visual único no mundo.

O curador Marc Pottier se encantou com a riqueza simbólica do local. Ele conta que o parque era antigamente chamado de Itacueretaba, que significa "cidade extinta de pedras" na língua dos apiabas, povos originários que habitavam a região. "Algumas rochas têm formas singulares, como taça, esfinge, bota, tartaruga, cabeça de índio, garrafa, camelo e proa de navio", descreve. "Entre essas falésias históricas e as formas curiosas que elas encerram, encontram-se temas únicos de reflexão para artistas contemporâneos".

Foi nesse universo repleto de lendas e formas intrigantes que Pottier convidou seis artistas para criar um diálogo especial: Gustavo Utrabo, Tom Lisboa, Kulykirida Menihaku, Sonia Dias, Denise Milan e Alexandre Vogler. "O Museu Oscar Niemeyer, por meio do MON sem Paredes – Arte ao Ar Livre, chamou um grupo de artistas para criar um diálogo com esse universo tão especial, dando, assim, suas interpretações sobre a singularidade do lugar", explica o curador.

Localizado a apenas uma hora de Curitiba, o Parque Estadual de Vila Velha foi o primeiro parque estadual criado no Paraná, em 1953. Atualmente é uma concessão do governo estadual à Soul Vila Velha, do Grupo Soul Parques. Além das trilhas dos arenitos, os visitantes podem explorar as furnas e a Lagoa Dourada, além de aproveitar atrações de aventura como tirolesa, arvorismo e cicloturismo. As bilheterias funcionam até as 15h, e a recomendação é chegar ainda pela manhã para aproveitar toda a experiência.

Enquanto o MON, maior museu de arte da América Latina com seu acervo de aproximadamente 14 mil obras, continua sua missão em Curitiba, essa expansão para Ponta Grossa reforça seu papel como instituição dinâmica e acessível. A arte, literalmente, sem paredes.