Depois de mais de uma década de espera, o pintor Valdeci Olímpio, conhecido popularmente como Baré, finalmente tomou posse como servidor efetivo da Prefeitura de Apucarana. O ato oficial foi realizado nesta sexta-feira (04/04), em cerimônia no gabinete municipal, marcando o desfecho de uma longa batalha judicial e uma emocionante reparação histórica. Baré teve parte da mão direita e o antebraço amputados ainda na infância, após um acidente com trem aos sete anos de idade. Mesmo com a limitação física, nunca deixou de trabalhar. Em 2013, prestou concurso público para o cargo de pintor e foi aprovado em primeiro lugar. No entanto, foi impedido de assumir o cargo com a alegação de que não possuía aptidão física para a função. O caso gerou revolta na comunidade e passou a tramitar na Justiça, onde o direito de Baré foi, anos depois, finalmente reconhecido. Agora, com 12 anos de atraso, ele é oficialmente parte do quadro permanente de servidores municipais de Apucarana. A solenidade de posse contou com a presença do prefeito Rodolfo Mota, do vice-prefeito Marcos da Vila Reis, do procurador-geral do município, Dr. Rubens Henrique de França, do advogado Aloísio Ferreira — que representou Baré na Justiça — e de familiares do servidor, como sua mãe, dona Ilda, e sua irmã, Maricelma Olímpio. “Assim que tivemos ciência da sentença, procuramos imediatamente o Baré para comunicar que o Município faria o cumprimento voluntário da decisão. Não haveria necessidade de intimações, de embates. A Justiça entendeu que a decisão de 2013 foi equivocada, e hoje corrigimos esse erro”, afirmou o prefeito Rodolfo Mota. Segundo ele, Baré já começa a trabalhar nesta segunda-feira, atuando na Secretaria de Serviços Públicos. “Ele vai exercer o cargo de pintor, exatamente como previa o concurso, contribuindo nas demandas de pintura e sinalização urbana. É um reforço de peso para a cidade”, destacou Mota. Mesmo sem vínculo oficial com o funcionalismo público, Baré já era conhecido em Apucarana pelo trabalho realizado há mais de 20 anos. Foi ele quem, manualmente, pintou os nomes das ruas em postes por toda a cidade, encantando os moradores não apenas pela qualidade do serviço, mas pela simpatia e entusiasmo. “Estou muito feliz. Apucarana colocou um homem de Deus na prefeitura. Essa cidade vai crescer e melhorar muito mais e eu quero dar minha contribuição com todo meu esforço”, disse Baré, visivelmente emocionado durante o ato de posse. Seu advogado, Aloísio Ferreira, elogiou a postura da atual gestão municipal, que decidiu acolher o cumprimento da sentença de forma imediata. “Evitar mais atrasos foi um ato de sensibilidade do prefeito. Apesar da vitória judicial, quem está sendo presenteada é Apucarana. Baré é um servidor que já provou sua dedicação à cidade. Ele é querido por todos, respeitado, e agora terá a dignidade de atuar dentro da legalidade e com todos os direitos assegurados”, afirmou. A batalha jurídica ainda não chegou ao fim. Segundo o advogado, o próximo passo será a cobrança administrativa dos salários retroativos dos últimos 12 anos, período em que Baré deveria ter estado vinculado ao funcionalismo público. “É um direito dele e uma obrigação do município, ainda que hoje administrado por uma gestão que não tem relação com o erro cometido no passado. Conversamos com o prefeito, que também pretende identificar os responsáveis por essa injustiça e responsabilizá-los, inclusive para buscar reparação pelo dano aos cofres públicos”, explicou Ferreira. Abaixo, um resumo da linha do tempo do caso: O caso de Baré lança luz sobre a importância de garantir os direitos das pessoas com deficiência e de combater o preconceito ainda presente, mesmo em instâncias institucionais. A reviravolta na história do pintor é uma mensagem clara sobre resiliência e justiça. “A presença do Baré no quadro de servidores representa mais do que uma vitória pessoal. Representa o valor da persistência, da dignidade, e a responsabilidade do poder público em reconhecer e reparar erros”, concluiu o advogado Aloísio Ferreira. Agora, oficialmente servidor da Prefeitura, Baré segue pintando — não só as ruas, mas também uma história de superação que inspira toda Apucarana.
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