A Academia Alfredo Andersen inicia o ano letivo de 2026 com uma proposta educacional renovada que já mostra resultados concretos. A partir de março, a instituição que é referência no ensino de artes na Grande Curitiba passou a oferecer vagas exclusivamente para turmas iniciantes, implementando um sistema de quatro etapas progressivas: iniciante, avançado, processos e poéticas. O objetivo é proporcionar um percurso formativo completo que permita aos alunos desenvolver sua linha artística pessoal dentro da própria academia.
Em resposta a essa nova estrutura, a instituição registrou um aumento de 25% na entrada de novos alunos neste ano, necessitando abrir mais turmas para atender à grande procura. Atualmente, são mais de 350 matriculados que têm acesso a ensino gratuito e de qualidade em diversas linguagens artísticas. "Meu interesse por fotografia não é de agora, mas nunca tive a oportunidade de estudar pela barreira financeira. Essa oportunidade que a Academia abre, justamente por criar esse espaço com cursos gratuitos, é essencial", afirma Renan Gabriel Ribeiro, de 30 anos, calouro da turma de Fotografia.
O público da academia é diverso, reunindo desde universitários até aposentados, todos com o objetivo comum de tornar a arte parte do cotidiano. Ana Luiza Burger, 23 anos, estudante de Design e aluna da turma intermediária de Pintura, descobriu novas possibilidades durante as aulas. "Eu sempre quis pintar roupas, porque era apaixonada por moda. Mas quando cheguei na Academia descobri técnicas e conceitos que não apenas aprimoraram minha pintura, mas abriram meus olhos para uma sensibilidade artística muito maior do que eu imaginava", relata.
Para muitos alunos, a academia representa também a retomada de um interesse antigo. Mariana Artem Miranda, da turma intermediária de Pintura, explica que após os 40 anos, com filhos e carreira estabelecida, sua inclinação artística havia ficado em segundo plano. "Sempre quis pintar, mas a correria da vida me deixava longe dessa paixão", diz. Após conhecer a instituição pelas redes sociais, inscreveu-se no curso e agora, em seu segundo ano como aluna, sente que o amor pela arte se reacendeu. "Aqui é um espaço diferente. Eu poderia estar em casa pintando, mas aqui, com o cheiro da tinta que eu adoro, compartilhando com colegas e ouvindo de outros artistas, fica maravilhoso", completa.
Os cursos atendem ainda a profissionais que buscam aprimoramento. Mariana Lima, 25 anos, ceramista há oito anos e professora de Cerâmica, encontrou na turma de Linguagens Poéticas um espaço para expandir sua pesquisa artística. "É como se fosse uma terapia, a aula faz a gente enxergar nós mesmos e como refletir isso no nosso trabalho na cerâmica. Então, é muito mais intenso o processo, é muito mais profundo", afirma. Ela trabalha com sentimentos ligados à infância traduzidos na argila e valoriza as trocas em sala de aula. "A professora sabe quando estamos trabalhando com questões sensíveis e nos provoca a continuar explorando esses sentimentos", destaca.
Até mesmo quem dedicou a vida à arte encontra na academia novas possibilidades. Ana Maria Schneider, 71 anos, professora de piano aposentada, explora diferentes cursos na instituição. "Já me inscrevi em diversas turmas aqui e aprendi muito, tenho ânimo pra isso", diz. Em 2026 ela conclui o curso de Cerâmica e ressalta o valor das trocas: "Trago um pouco de cada um comigo e contribuo com um pouco de mim para os outros".
O legado de Alfredo Andersen, considerado o pai da pintura paranaense, permanece vivo através da instituição. Entre 1902 e 1935, ano de seu falecimento, ele manteve seu ateliê aberto e formou a maioria dos pintores paranaenses mais importantes do século XX. Após sua morte, a tradição foi continuada por seu filho, Thorstein Andersen, que fundou em 1940 a Sociedade de Amigos de Alfredo Andersen. Em 1959, as atividades educativas retornaram à antiga casa do artista na Rua Mateus Leme, transformada em sede institucional por decreto de lei.
Renomeada como Academia Andersen em 2019, a instituição mantém aulas ininterruptas há mais de um século, consolidando-se como polo de ensino que atravessa gerações. O novo sistema educacional implementado em 2026 representa mais um capítulo nessa história, garantindo que o espaço físico onde Andersen viveu e trabalhou continue formando novos talentos e fortalecendo o campo artístico paranaense.

