Um terreno público que antes acumulava resíduos e era foco de doenças em Santos, no litoral de São Paulo, transformou-se em um condomínio residencial que mudou a vida de 136 famílias. Na sexta-feira (23), o Governo de São Paulo realizou a entrega das chaves do Residencial Novo Horizonte, localizado na Rua Dona Amélia Leuchtenberg, 645, marcando o fim de uma espera que, para muitos moradores, durou mais de 70 anos.
O evento contou com a presença do subsecretário de Desenvolvimento Urbano, José Police Neto, que destacou a importância da transformação do local. "Esse é um terreno público bem localizado e grande, mas que possuía um uso muito ruim, com acúmulo de resíduos e doenças. A partir de 2023, com a participação do governador Tarcísio de Freitas, as obras do condomínio ganharam ritmo e, em cerca de dois anos, foram concluídas", explicou Police. Ele ressaltou que o foco da política pública vai além da construção física: "Famílias que moravam há mais de 70 anos em um local insalubre agora passam a ter uma moradia de muita qualidade. O foco da política pública não é construir casas; é proporcionar que famílias habitem lugares dignos e decentes".
O empreendimento foi viabilizado por meio de uma parceria entre diferentes esferas de governo. A demanda partiu da Associação Habitacional Vila Sapo, que qualificou o projeto para receber recursos federais do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS), no valor de R$ 95 mil por unidade. Como esse montante não cobria o custo total, a associação buscou complementação junto ao Governo de São Paulo, que aportou a outra metade dos recursos necessários através do programa Casa Paulista, totalizando R$ 12,3 milhões em investimentos.
Os apartamentos, com 50 m² cada, são destinados a famílias com renda de até R$ 2,85 mil, indicadas pela associação. O secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, enfatizou a importância da atuação conjunta: "Temos um grande exemplo de como, ao juntar forças, conseguimos superar os desafios na área habitacional, que são enormes. Nesse caso de Santos, rachamos a conta com o Governo Federal. O município fez a articulação e a relação na ponta com a associação, o que resulta nessa entrega importante".
Branco também destacou o sucesso das políticas de subsídio do estado, especialmente as Cartas de Crédito Imobiliário: "Com subsídios de até R$ 16 mil a fundo perdido, conseguimos fazer com que famílias de dois salários mínimos realizem o sonho da casa própria via mecanismos de mercado. Com essa ajuda na entrada, temos o mesmo efeito dos outros programas: ajudar quem precisa a receber a chave do imóvel próprio".
Os números do Casa Paulista impressionam: desde 2023, o programa já entregou 80 mil moradias e tem outras 104 mil em produção, considerando todas as modalidades da CDHU ou de fomento por cartas de crédito. Na Baixada Santista, foram 6,5 mil unidades entregues e mais 2 mil em obras. O investimento total nos últimos três anos chegou a R$ 8 bilhões, superando o valor aplicado nos oito anos anteriores (2015-2022).
Para os moradores, a entrega das chaves representa muito mais que um novo endereço. Bruno Melo, de 45 anos, presidente da Associação Habitacional Vila Sapo, viveu na comunidade desde a infância e acompanhou décadas de insegurança. "Já achamos que poderíamos ser removidos de uma hora para outra da área por meio de reintegração de posse. Foi muita tensão. Agora é diferente. Não há mais o pensamento de que 'moro aqui, mas isso não me pertence'", relatou.
Bruno assumiu a presidência da associação após a morte de sua mãe, Josefina, fundadora da entidade, que faleceu em 2022 sem ver a concretização do projeto. "Um sonho sozinho, às vezes não se conquista. Mas um sonho coletivo sempre vira realidade", afirmou emocionado.
Maria Adélia da Silva, de 50 anos, recebeu as chaves no dia do seu aniversário. "Eu não poderia ter um presente melhor", disse. Moradora da Vila Sapo há 12 anos, após passar por anos pagando aluguel, ela agora vai se mudar com o filho de 30 anos. O financiamento mensal corresponde à metade do valor que pagava anteriormente. "Vamos pagar por algo que é nosso. Vai mudar muita coisa nas nossas vidas, principalmente segurança e conforto".
Gilda de Souza, de 57 anos, natural da Bahia, viveu quase duas décadas na Vila Sapo. Mesmo tendo comprado uma casa na área, sabia que o imóvel não lhe pertencia legalmente. Agora, ela se muda para o novo apartamento com o marido Paulo, de 63 anos, e a filha Paola, de 18. "Receber as chaves da casa própria faz deste o dia mais feliz da minha vida. Hoje, eu sei que tenho um teto que é meu, um lugar seguro para morar", contou.
A transformação do Residencial Novo Horizonte simboliza não apenas a entrega de moradias, mas a restauração da dignidade de famílias que esperavam há gerações por um lugar que pudessem chamar de lar. A parceria entre associação, município, estado e união mostrou que, quando as forças se unem, sonhos coletivos podem, de fato, se tornar realidade.

