Esta semana, tenho publicado diversos artigos sobre a cadeia produtiva do setor de pet food, já que estamos caminhando a todo vapor para a Fenagra, um mega evento do setor e os leitores desta coluna têm reagido muito bem, ao conhecerem os bastidores da indústria que transforma boi em pelotas de ração, é um mundo novo para os tutores, que começam a visualizar além da prateleira. 

Além dessa abertura para um assunto novo, eu continuo abordando o universo dos animais de estimação enquanto enfermeiros, vistos sob o olhar da Terapia Assistida por Animais e do Vínculo Humano-Animal. É um trabalho diferenciado, que está anos-luz à frente dos ativistas que exploram a pieguice para aparecer na Mídia e ganhar seguidores nas redes sociais (que eu nem tenho, diga-se de passagem).

Como meu foco é apresentar soluções, além de ir visitar a feira portando uma ECOBAG feita apenas com fita adesiva e uma embalagem de ração, eu também quero sugerir à indústria que formule medicamentos palatáveis, principalmente para gatos. Um sachê contendo os antibióticos que o bichinho deve tomar depois de ser castrado, por exemplo, vermífugos, analgésicos. Tudo na dose recomendada pelos Médicos Veterinários, com o rigoroso controle de qualidade da indústria e de seus nutricionistas e químicos. 

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Não adianta o Veterinário prescrever o melhor antibiótico do mundo se o tutor não consegue administrá-lo...

 

Aqui estão alguns pontos que reforçam por que esta ideia para a Fenagra é tão pertinente:

 

O "Gato não é um cachorro pequeno":

Enquanto cães aceitam remédios escondidos em pedaços de carne, gatos têm um paladar e olfato aguçadíssimos. Eles detectam o amargor de substâncias químicas instantaneamente.

Redução do Estresse: A administração forçada de medicamentos quebra o vínculo de confiança entre tutor e pet. Um medicamento em formato de sachê ou petisco transforma a tortura em um momento de recompensa.

Tecnologia de Palatabilizantes: A indústria de pet food já domina o uso de hidrolisados de fígado e proteínas que tornam a ração irresistível. Cruzar essa expertise com a indústria farmacêutica é o caminho lógico.

A Precisão da Dose: O grande desafio técnico, que os químicos da Fenagra podem resolver, é garantir que o princípio ativo não perca a eficácia ao ser misturado com componentes palatáveis e que o animal consuma a dose exata no sachê.

Os desafios são:

Encapsulamento de Moléculas: O maior desafio com gatos é o amargor. Sugiro que a indústria use tecnologias de microencapsulamento, onde o princípio ativo só é liberado no estômago, impedindo que o gato sinta o gosto ruim na língua enquanto saboreia o sachê.

O Poder dos Hidrolisados: As empresas de palatabilizantes focam muito em ração seca. A provocação seria: "Como levar esses mesmos hidrolisados de alta performance para veículos líquidos ou pastosos de medicamentos?"

Vínculo vs. Trauma: Um tratamento "gourmetizado" mantém o bem-estar psicológico do animal enfermo. Um gato que precisa de medicação crônica e é forçado todo dia entra em um estado de estresse que prejudica a própria recuperação.

Imagine o tutor sair do Veterinário com um "kit de 7 sachês sabor salmão" para o pós-operatório, em vez de uma cartela de comprimidos e uma seringa. É uma revolução na adesão ao tratamento.

Fica aí a sugestão, caso eu não consiga conversar pessoalmente com os 250 expositores durante a feira, mas mesmo assim, a matéria permanecerá aqui publicada e todos os contatos que eu fizer pessoalmente, receberão o link. Quem sabe, na Fenagra 2027, estejamos comemorando o sucesso dos novos medicamentos palatáveis! Melhor ainda, se forem lançados com a marca "Animais são Anjos" e tiverem a renda revertida para a divulgação do nosso site, de utilidade pública!