Completando um ano neste mês de abril, o projeto de reassentamento da Favela do Moinho, na região central de São Paulo, registra um avanço significativo: mais de 800 famílias já foram transferidas para novos lares com segurança e dignidade, alcançando 96% do total previsto. Restam menos de 40 imóveis para finalizar essa etapa liderada pelo Governo do Estado, marcando uma virada na vida de moradores que enfrentavam condições insalubres e riscos constantes.

O terreno da comunidade, confinado entre duas linhas de trens e com apenas uma saída, era altamente adensado e expunha a população a perigos como incêndios graves, ocorridos na década passada, além da presença de ratos e escorpiões. A área também sofria com forte atuação do crime organizado, que limitava a liberdade das famílias. "Um ano atrás, nós entramos no Moinho com um propósito claro: tirar as famílias do risco permanente de acidentes, de imóveis muito precários, de uma área insalubre e sob ameaça do crime. Muitos diziam que era impossível, que ninguém tinha coragem de mexer ali. Hoje, com gestão e diálogo, estamos muito próximos de finalizar a desocupação. São mais de 800 famílias que saíram de um lugar onde o Estado não entrava para morar em lares definitivos e dignos, com escritura e segurança", afirma o governador Tarcísio de Freitas.

No total, foram realizadas 920 mudanças, com 72 indenizações pagas pela prefeitura a comerciantes afetados, sendo que 22 deles também receberam atendimento habitacional. Atualmente, 29 famílias permanecem no local, aguardando atendimento pela Caixa Econômica Federal para indenizações devidas pelo governo federal. Com o reassentamento em fase final, a área antes ocupada pela favela será destinada a uso público, incluindo um parque urbano e uma nova estação de trem, como parte de ações integradas de requalificação da região central.

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O processo foi baseado em escuta ativa e mapeamento detalhado, com cadastramento concluído entre outubro e novembro de 2024. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) inaugurou um escritório de atendimento nas proximidades, que concentrou mais de 3 mil atendimentos antes das remoções e totalizou 10 mil em um ano, com média de 12 atendimentos por família. "O projeto teve início com um olhar para o centro da cidade como um todo, resgatando cada uma dessas histórias para preservar a vontade das pessoas. Fizemos mais de 3 mil entrevistas com os moradores antes mesmo de iniciar as mudanças, atualmente já passamos de dez mil atendimentos, e hoje temos quase a totalidade das famílias encaminhadas. Esse é um projeto estruturado, pensado e humanizado, em que as famílias escolheram onde e de que forma queriam morar", destaca o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco.

As mudanças começaram em 22 de abril de 2025 e avançaram rapidamente: em 7 de maio, mais de 100 famílias já estavam reassentadas, número que superou 440 cerca de dois meses depois. Para viabilizar o atendimento, a CDHU mapeou imóveis prontos ou em construção, disponibilizando cerca de 1,5 mil unidades, mais de mil na região central para quem preferia permanecer na área. Outra opção foi a livre escolha em qualquer município do estado, com valor de até R$ 250 mil. Os imóveis são gratuitos para famílias com renda mensal de até R$ 4,7 mil, e para quem optou por unidades em construção, foram concedidos caução inicial de R$ 2,4 mil e auxílio-moradia mensal de R$ 1,2 mil até a entrega.

"Quando se trata da Favela do Moinho, falamos da reposição do direito à moradia. Montamos um escritório especialmente para esse trabalho, com atendimentos individuais programados. As famílias foram convidadas com dia e horário marcados. A CDHU organizou toda a logística, incluindo agendamento, transporte e encaixotamento. Houve uma boa adesão dos moradores, o que também nos surpreendeu positivamente", disse Viviane Frost, superintendente social de Ação em Recuperação Urbana da CDHU.

Paralelamente, os imóveis desocupados passam por etapas de segurança: inicialmente emparedados, depois descaracterizados com retirada de telhados e outros elementos, e atualmente demolidos. Já são 738 imóveis demolidos, medida que garante integridade da área, evita reocupações e assegura segurança para famílias e trabalhadores. Para ex-moradores como Eunice Barbosa dos Santos, de 81 anos, que viveu 22 anos na favela, o sentimento é de alívio: "Não vou sentir saudade [do Moinho]. O que eu sinto é alegria de sair para a minha nova casa", relata ela, simbolizando o recomeço que o projeto proporcionou.