O estado de São Paulo acaba de ganhar um roteiro turístico inédito e cheio de significado: o Guia Turístico das Aldeias Indígenas do Estado de São Paulo, lançado pela Secretaria de Turismo e Viagens no mês em que se celebra o Dia dos Povos Indígenas, 19 de abril. A publicação, a primeira do tipo, mapeia 16 comunidades abertas à visitação em diferentes regiões paulistas, além de dois importantes museus dedicados às culturas originárias.

O guia não é apenas um catálogo de endereços. Ele representa um convite para uma imersão autêntica e respeitosa na diversidade dos povos indígenas de São Paulo. As experiências oferecidas vão muito além do olhar turístico convencional. Os visitantes podem participar de trilhas guiadas por dentro da Mata Atlântica, aprender sobre agrofloresta, vivenciar apresentações de canto e dança, experimentar a pintura corporal tradicional, participar de oficinas de artesanato e se deliciar com a gastronomia típica. É uma oportunidade de troca cultural direta, que valoriza os saberes ancestrais e gera renda para as comunidades.

O roteiro está dividido por regiões, mostrando que a presença e a cultura indígena estão espalhadas por todo o território paulista. Na Capital e Grande São Paulo, por exemplo, é possível visitar a Aldeia Yvy Porã, na Terra Indígena Jaraguá, zona noroeste da capital, onde a comunidade Guarani desenvolve atividades de etnoturismo e educação ambiental. Em Guarulhos, o Espaço Kaimbé e a Reserva Indígena Multiétnica Filhos desta Terra reúnem uma impressionante diversidade de povos, como Tupi-Guarani, Maxakali, Pankararu e Kaimbé, em territórios retomados, onde a produção artesanal é uma das formas de resistência e sustento.

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Já no Litoral Norte, destinos como a Terra Indígena Rio Silveira, em São Sebastião, com cerca de 200 anos de história, e as aldeias em Ubatuba, como a Ywyty Guaçu (Renascer) e a Terra Indígena Boa Vista, oferecem uma combinação poderosa: cultura viva em meio à exuberância da Mata Atlântica, com direito a trilhas para cachoeiras, piscinas naturais e a chance de conhecer práticas tradicionais de preservação do bioma.

No Litoral Sul e Vale do Ribeira, comunidades como a Aldeia Tabaçu Reko Ypy (cujo nome significa “o renascer da grande aldeia”) em Peruíbe, e a Aldeia Pindo-ty, em Pariquera-Açu, trabalham intensamente pela preservação da língua materna, dos cantos e das danças, mantendo viva uma conexão ancestral com a terra.

O interior paulista também se revela no guia. Em Itaporanga, a Aldeia Tekoa Porã tem um calendário anual de eventos, com grande programação em abril. Na região de Avaí, as Aldeias Ekeruá, Nimuendajú e Kopenoti, na Terra Indígena Araribá, mostram a força do povo Terena e dos Tupi-Guarani, com turismo de base comunitária, centros culturais e produção de artesanato e alimentos tradicionais. Em Arco-Íris, a Aldeia Índia Vanuíre, que abriga povos Kaingang e Krenak há mais de 30 anos, oferece uma visitação que inclui até o acesso a um museu gerido por uma família indígena.

Para completar o roteiro, o guia contempla dois museus fundamentais para entender e respeitar a história indígena. Na capital, o Museu das Culturas Indígenas, inaugurado em 2022, é um marco por ser gerido com a participação direta de lideranças indígenas, trazendo exposições vivas e arte contemporânea. Em Tupã, o Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre é uma referência em museologia participativa, com acervo voltado para as culturas Kaingang, Krenak e Terena do oeste paulista.

A publicação do guia é mais do que um lançamento turístico; é um reconhecimento oficial da vitalidade e da importância das culturas indígenas para a identidade paulista. Ao disponibilizar os contatos de cada comunidade, a Secretaria de Turismo facilita o acesso do público, mas também reforça a necessidade de um turismo consciente, que deve ser sempre feito com agendamento prévio e respeito aos costumes e territórios. É uma porta que se abre para que os paulistas e visitantes de outras partes do Brasil possam conhecer, aprender e se encantar com as raízes mais profundas do estado.