O Governo do Estado de São Paulo anunciou nesta terça-feira (14) um investimento de R$ 110 milhões para a aquisição de oito novos radares meteorológicos, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a SP Águas, a agência estadual de águas. Com essa expansão, o estado passará a contar com 15 equipamentos em operação, formando a maior rede de radares meteorológicos do país.
O anúncio foi feito durante a cerimônia que celebrou os 50 anos da Defesa Civil paulista, no Palácio dos Bandeirantes. Na mesma ocasião, o governo apresentou um pacote total de cerca de R$ 195 milhões em investimentos para proteção e defesa civil, que inclui ainda a contratação de 40 novas obras de prevenção a desastres, no valor de R$ 47,6 milhões, a compra de 38 caminhões-pipa, por R$ 19,7 milhões, e a entrega de 34 viaturas equipadas para combate a incêndios.
Os novos radares se somarão aos sete já em operação no território paulista, ampliando significativamente a capacidade de previsão e emissão de alertas climáticos em todo o estado. Os equipamentos estarão distribuídos nos municípios de Bauru, Presidente Prudente, Salesópolis, Itapetininga, Pirassununga, Campinas, Ilhabela (2), Iguape, Itanhaém, Guarujá, Ubatuba e São Paulo (3).
Os radares meteorológicos são considerados peças-chave no monitoramento de tempestades porque permitem identificar, em tempo real, a formação e o deslocamento de nuvens carregadas de chuva. Com essa tecnologia, é possível emitir alertas antes que os temporais atinjam áreas de risco, reduzindo o tempo de resposta e potencialmente salvando vidas.
Atualmente, os sete radares de São Paulo são operados por diferentes instituições, como SP Águas, USP, Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os dados desses equipamentos são integrados pelo Centro Paulista de Radares e Alertas Meteorológicos (Cepram), que centraliza as informações para análise e emissão de alertas.
Entre os equipamentos já em operação, destaca-se o radar de Campinas, adquirido pelo Governo de SP e pela Unicamp por R$ 4,4 milhões, que faz monitoramento 360° e emite alertas a cada dez minutos sobre volume e intensidade de chuvas em um raio de 100 quilômetros. Já o equipamento de Ilhabela, adquirido em 2023 por R$ 10 milhões, monitora o litoral norte e a Baixada Santista com alcance de 120 quilômetros e é capaz de captar chuvas que ficam “ocultas” pela Serra do Mar, invisíveis para os radares de terreno plano.
Em Bauru, um radar móvel é operado em parceria entre o IEAMar e o IPMet, mantido pela Unesp. A universidade também opera o equipamento de Presidente Prudente, previsto para passar por modernização. Na capital, dois radares da USP, na Cidade Universitária e na USP Leste, completam a rede. Em Salesópolis, um radar instalado na Barragem de Ponte Nova monitora a região metropolitana de São Paulo.
A ampliação dos radares se conecta diretamente com a ponta do sistema que chega ao cidadão: os alertas de emergência. Lançado em dezembro de 2024, o Cell Broadcast da Defesa Civil de São Paulo dispara sinais sonoros e mensagens de texto diretamente nos celulares da população, sem necessidade de cadastro prévio. O alerta funciona mesmo com o aparelho no modo silencioso.
Em menos de um ano e meio, o sistema já emitiu 602 alertas. As mensagens são georreferenciadas: o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) monitora áreas de risco, identifica regiões potencialmente afetadas e dispara alertas segmentados, que chegam em celulares conectados às redes 4G ou 5G.
Além do Cell Broadcast, a Defesa Civil mantém o sistema de alertas via SMS. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, foram enviados 11.240 disparos por mensagem de texto no estado. Nesse caso, o cidadão precisa cadastrar o número do celular e um CEP para receber alertas personalizados conforme o endereço. O cadastro é feito enviando um SMS para o número 40199.
O evento também homenageou agentes que atuaram em ocorrências de grande impacto, como a equipe da Defesa Civil de São Sebastião, reconhecida pelo resgate de vítimas na tragédia de 2023 no litoral norte. A cerimônia reforçou a importância dos investimentos em tecnologia e infraestrutura para prevenir e mitigar os efeitos de desastres naturais no estado mais populoso do país.

