O Governo de São Paulo deu mais um passo importante no combate à chikungunya nesta quarta-feira (22), com a ampliação da estratégia de vacinação no município de Bady Bassitt, na região de São José do Rio Preto. A ação segue o modelo do projeto-piloto implementado em Mirassol em fevereiro, que marcou o início da imunização no país com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva.
A vacinação será realizada gratuitamente nas unidades de saúde do município, que possui cerca de 29 mil habitantes. Toda a população de 18 a 59 anos que procurar as unidades de saúde da cidade poderá receber o imunizante, seguindo a estratégia definida pelo Ministério da Saúde (MS). A iniciativa representa uma expansão significativa no acesso à prevenção contra uma doença que tem causado preocupação no estado.
A vacina contra a chikungunya foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025 e também possui autorização para uso no Canadá, no Reino Unido e na União Europeia. Estudos clínicos indicam que o imunizante é bem tolerado, com eventos adversos predominantemente leves a moderados, além de induzir resposta imunológica após uma única dose.
Na primeira etapa, a vacina foi aplicada de forma estratégica em 10 municípios de quatro estados, selecionados pelo Ministério da Saúde com base em critérios epidemiológicos, tamanho populacional e viabilidade operacional para a introdução do imunizante em curto prazo. Em Mirassol, foram aplicadas 5.415 doses até esta terça-feira (21/4), demonstrando a adesão da população à campanha.
A segurança e a capacidade da vacina de induzir a produção de anticorpos foram comprovadas em estudos clínicos realizados no Brasil e nos Estados Unidos, com resultados publicados em revistas científicas internacionais. Nos ensaios norte-americanos, cerca de 99% dos voluntários apresentaram resposta imunológica com anticorpos neutralizantes, um indicador promissor para a efetividade da vacina.
As contraindicações seguem as orientações da bula aprovada pela Anvisa, incluindo pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas, gestantes e indivíduos com hipersensibilidade a componentes da vacina. É fundamental que a população esteja informada sobre essas restrições para garantir a segurança do processo de imunização.
Para avaliar a efetividade do imunizante em condições reais, o Instituto Butantan fará o acompanhamento dos casos de chikungunya nos municípios participantes, comparando os dados entre pessoas vacinadas e não vacinadas. Esse monitoramento é crucial para entender o impacto da vacinação na redução da transmissão da doença e na prevenção de complicações.
A Secretaria de Estado da Saúde reforça a importância de que a população esteja atenta aos sintomas da doença, como febre associada à dor nas articulações e no corpo, e procure uma unidade de saúde para diagnóstico e acompanhamento adequados. A chikungunya é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, também responsável pela transmissão da dengue e da zika.
Os principais sintomas incluem febre alta de início súbito e dores intensas nas articulações, que podem se tornar crônicas e persistir por meses ou anos. Não há tratamento antiviral específico, e o cuidado é baseado em repouso, hidratação e uso de analgésicos e antitérmicos. A vacinação surge como uma ferramenta essencial para prevenir a doença e suas consequências debilitantes.
Em 2025, foram confirmados 7.952 casos de chikungunya e sete óbitos no estado de São Paulo. Já neste ano, até 21 de abril, foram 616 casos e dois óbitos. Esses números destacam a necessidade contínua de medidas de prevenção, incluindo o controle do mosquito transmissor e a ampliação da cobertura vacinal. A expansão da vacinação para Bady Bassitt é um passo importante nessa direção, oferecendo esperança para a redução da carga da doença na região.

