Com um aporte de cerca de R$ 300 milhões do banco de desenvolvimento alemão KfW, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) está executando cinco obras de ampliação e modernização de estações de tratamento de esgoto (ETEs) no estado. Duas delas estão em Londrina, no Norte do Paraná, e representam um salto tecnológico e ambiental para a região.
Os recursos se destinam à segunda fase do programa Paraná Bem Tratado, mas as obras já estão em andamento com recursos próprios da Sanepar, aplicados de forma antecipada. “Temos esta parceria com o KfW desde o desenho deste modelo que tem grande impacto no que diz respeito à eficiência operacional e minimização da emissão dos gases de efeito estufa”, explica o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley. Ele acrescenta que a confiança construída permitiu o avanço das obras além da contrapartida inicial.
Em Londrina, os investimentos viabilizam uma Central de Tratamento de Lodo anexa à ETE Sul, que atenderá toda a região metropolitana. A unidade fará a secagem do lodo de seis ETEs: quatro de Londrina, uma de Cambé e outra de Tamarana. Além disso, inclui estruturas para coleta, armazenamento e tratamento do biogás gerado na ETE Sul, que será usado como combustível no processo de secagem.
“A unidade tem tecnologias inovadoras e sustentáveis, prevendo a utilização dos dois principais subprodutos gerados na ETE como fontes de energia. Atualmente o biogás é queimado e o lodo segue para aterro”, destaca o gerente de Convênios e Parcerias da Sanepar, Eduardo Pegorini. O sistema de secagem térmica conta com um tambor de aço de 18 metros de comprimento e capacidade de processar até 5 toneladas de lodo por hora.
O gerente-geral da Sanepar na Região Nordeste, Rafael Leite, enfatiza o ganho ambiental: “O processo de secagem é capaz de reduzir o volume de quatro caçambas de lodo úmido para uma única caçamba de lodo seco. Aproveitando o gás da estação, deixamos de emitir gases de efeito estufa e mitigamos as mudanças climáticas”. Ele também aponta a redução de custos logísticos e o alinhamento com os conceitos de ETEs Sustentáveis.
Com investimento de R$ 58,8 milhões, a obra tem entrega final prevista para novembro, com fases de pré-operação a partir de julho. Em 2026, a ETE Sul passará por uma segunda fase de ampliação, aumentando sua eficiência e a geração de biogás. Os equipamentos da central são raros: o tambor secador modelo Bruthus, por exemplo, só é usado em outras seis estações no Brasil, sendo que apenas duas, incluindo uma em Curitiba, operam com biogás e lodo como fontes de energia.
Na ETE Norte de Londrina, os investimentos de R$ 62 milhões visam otimizar o tratamento de esgoto e aproveitar o biogás para gerar energia elétrica para a própria unidade. A obra inclui a revitalização de reatores anaeróbios e a construção de um novo digestor, com conclusão prevista para março de 2028.
Os recursos do KfW também financiam obras nas ETEs Pinhalzinho, em Umuarama, e Padilha, em Curitiba, além da implantação de uma central de tratamento de lodo e ampliação da Usina de Tratamento de Lodos e Resíduos Orgânicos (Usbio) na capital. O biogás, residual do tratamento anaeróbico do esgoto, é composto principalmente por metano e dióxido de carbono, e seu aproveitamento é central no programa Paraná Bem Tratado, uma iniciativa da Sanepar que envolve cooperação com instituições paranaenses, brasileiras e a agência alemã GIZ para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

