A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Belém – Biogás, também conhecida como USBioenergia ou USBio, foi a grande campeã na categoria unidades ou plantas geradoras de biogás (Saneamento) do Prêmio Melhores do Biogás Brasil. A premiação aconteceu durante o 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, realizado em Foz do Iguaçu na terça-feira (14), e reconhece profissionais e empresas que desenvolvem iniciativas sustentáveis no setor.
Localizada em Curitiba, a ETE-Belém é resultado de iniciativas inovadoras da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para transformar resíduos – especificamente o lodo gerado no tratamento de esgoto – em energia renovável, o biogás. A companhia possui mais de 200 estações de tratamento equipadas com reatores anaeróbios (que utilizam microrganismos para decompor a matéria orgânica) em todo o estado do Paraná.
Esta é a terceira vez que a Sanepar garante o prêmio nessa categoria, sendo duas delas com a ETE-Belém e uma com a Atuba Sul, também em Curitiba. Em 2023, a estação de tratamento de esgoto Ouro Verde, de Foz do Iguaçu, foi eleita a mais sustentável do país na mesma premiação.
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, comemorou a conquista: "A Sanepar celebra a premiação tendo a certeza de que está no caminho da sustentabilidade. Quando destinamos nossos investimentos à transformação do lodo em biogás, estamos aplicando a economia circular que não apenas nos beneficia, mas toda a cadeia produtora também. O reconhecimento, que vem com o prêmio, é de todos os empregados que participam do processo e fazem a Companhia ser destaque em todas as áreas em que atua".
Com capacidade para processar diariamente 900 m³ de lodo da ETE Belém – o equivalente a cerca de 36 caminhões-pipa – e 150 toneladas de resíduos orgânicos de grandes geradores, a unidade se consolida como um gigante da economia circular. A operação é sustentada por dois biodigestores de 5.000 m³ cada, que juntos comportam o volume de quatro piscinas olímpicas de material em tratamento.
Graças a um sistema de pós-digestão que garante a estabilização total dos resíduos e elimina passivos ambientais, a planta atingiu um desempenho otimizado: a produção de 18.000 Nm³ (metros cúbicos normais) de biogás por dia. Na prática, esse resultado converte toneladas de descarte urbano em uma fonte de energia renovável, pronta para o aproveitamento energético. A premiação demonstra o posicionamento da Sanepar como uma das principais operadoras de biogás do Brasil.
O gerente de tratamento de esgoto em Curitiba e responsável pela unidade, Raphael Tadashi Diniz, recebeu o prêmio em nome da companhia e explicou que o trabalho conta com o apoio da diretoria, que dispõe de investimentos em inovação e novos negócios, e também da equipe operacional. "Agradeço principalmente a quem trabalha diretamente na ETE Belém e na Usina de Biogás, que são os verdadeiros guerreiros. Seja no processo de operação, manutenção, que estão no dia a dia da estação, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Um trabalho bastante complexo, mas que eles fazem com satisfação e contribuem muito para esse reconhecimento e a conquista desse importante prêmio", disse ele, ao agradecer em nome da equipe.
Somente no primeiro bimestre de 2026, a unidade recebeu mais de 6 milhões de toneladas de lodo e outros resíduos orgânicos. Nesse período, a eficiência da usina resultou na geração de 1.517,50 MWh. Em outras palavras, essa eletricidade seria suficiente para abastecer uma cidade de 12 mil habitantes por um mês inteiro. O processo, que é uma alternativa à disposição de lodo e resíduos orgânicos em aterros sanitários, reduz custos operacionais e impactos ambientais.
Gustavo Rafael Collere Possetti, especialista em pesquisa e inovação da Sanepar, destacou o significado estratégico da premiação: "Essa premiação representa a validação de uma estratégia de inovação que transforma passivos ambientais em ativos energéticos. Na Sanepar, entendemos que os resíduos não são o fim da linha, mas potenciais fontes de recursos. Ao otimizarmos a codigestão de lodo com outros resíduos orgânicos, estamos escalando nossa capacidade de gerar energia limpa e reduzindo emissões de gases de efeito estufa. Essa iniciativa exemplifica como a ciência aplicada ao saneamento pode impulsionar a descarbonização, a transição energética e fortalecer a segurança energética do Paraná".

