O governador Carlos Massa Ratinho Junior participou, nesta quinta-feira (7), em Ibaiti, do 12º Encontro das Mulheres do Café do Norte Pioneiro. Sob o tema “Cultivando força, saber e protagonismo”, o evento reuniu produtoras e profissionais que integram a cadeia produtiva da região. Além de celebrar as conquistas do projeto, elas passaram por capacitações técnicas. No evento, ele também autorizou o início da pavimentação da PR-436 e novos investimentos para a cidade.
De acordo com o governador, esses encontros são fundamentais para o aperfeiçoamento técnico e para a valorização do protagonismo feminino no campo. “São mulheres que cultivam café especial, café gourmet, que têm uma qualidade muito superior à do convencional. Muitas delas estão exportando, recebendo em dólar e transformando isso em recursos para que possam crescer cada vez mais. Elas conseguem vender a saca por duas vezes e meia o preço normal do produto”.
Além de agregar valor à economia local, a iniciativa desenvolvida pelo IDR-Paraná em parceria com prefeituras projetou o café de Ibaiti para o Brasil e para o mundo. O prefeito Roberto Regazzo destacou o papel das produtoras nessa expansão. “Parabenizo as mulheres por entregarem um café gourmet de excelência. Elas valorizam o nosso Estado e transformam a realidade de muitas famílias”, disse.
As produtoras assistidas pela iniciativa possuem, em média, 3,5 hectares cultivados, abrangendo desde cafezais antigos até áreas recuperadas ou renovadas. O projeto é responsável por incentivar 20 marcas próprias de café, que acumulam vitórias em concursos de qualidade. Desde 2015, as mulheres do Norte Pioneiro aparecem entre as principais colocadas em premiações nacionais e estaduais. No ano passado, elas conquistaram 60% dos troféus do concurso Café Qualidade Paraná: dos dez premiados nas categorias natural e cereja descascado, seis foram mulheres. Além disso, os dois melhores cafés do Estado foram produzidos por mãos femininas: Flávia Guimarães da Silva Rosa (Apucarana) e Sirlene Soares dos Santos Souza (Pinhalão).
A presidente da Associação das Mulheres do Café do Norte Pioneiro (Amucafé), Maria Aparecida Maciel, explica que o solo do Paraná apresenta características especiais, além de as produtoras focarem na excelência em vez de apenas no volume. “Quanto mais elevado o terreno, melhor a bebida e o sensorial, porque as plantas recebem sol constante. Nos dedicamos a toda etapa, que começa na escolha da muda, do terreno e na preparação do solo, até a colheita”, disse.
O projeto Mulheres do Café do Norte Pioneiro abrange mais de 250 produtoras distribuídas em 14 grupos no Norte Pioneiro: Curiúva, Figueira, Ibaiti, Japira, Jaboti, Pinhalão, Tomazina, Siqueira Campos, Salto do Itararé, Joaquim Távora, Carlópolis, São Jerônimo da Serra, Ribeirão do Pinhal e Nova Fátima. Quatro municípios do Vale do Ivaí também têm cafeicultoras: Grandes Rios, Lidianópolis, Jardim Alegre e Ivaiporã. “É um projeto muito bonito, quase artesanal, que faz o Paraná ser referência na qualidade do café”, explicou o governador.
Para Cíntia Mara Lopes de Souza, economista doméstica do IDR-Paraná de Pinhalão e coordenadora do projeto, a iniciativa foi responsável por proporcionar visibilidade ao trabalho que as mulheres já realizavam. “Elas conquistaram o reconhecimento da sua importância para a cafeicultura não só entre os familiares, como também junto aos segmentos que comercializam café”. O desafio, atualmente, é atender à alta demanda por cafés especiais produzidos no Norte Pioneiro. “A visibilidade e a qualidade chegaram antes do que a quantidade. Com reconhecimento nacional e internacional, nós não estamos produzindo o suficiente para atender o mercado”, explicou Cíntia.
Desenvolvida pelo IDR-Paraná em parceria com prefeituras, a iniciativa nasceu em maio de 2013 para estimular a produção de cafés especiais, que possuem maior valor comercial, e o protagonismo feminino. Técnicos e agrônomos oferecem assistência técnica completa, desde a adubação até a colheita, enquanto profissionais da área social trabalham o desenvolvimento pessoal das cafeicultoras. Em 2019, o grupo formalizou a Amucafé. Hoje, com 100 associadas, a instituição possui uma menção honrosa da Assembleia Legislativa do Paraná pelo trabalho que desenvolve e o impacto na divulgação dos cafés paranaenses. Hoje, o projeto é apresentado em eventos em todo o país como modelo de sucesso. “É uma metodologia feita pelo IDR-Paraná para atender exclusivamente as produtoras e pode ser aplicada em outros setores ou outras áreas produtivas, como a agroindustrialização. Queremos gerar renda para as famílias, para que elas permaneçam na agricultura com qualidade de vida. Esse é o foco da extensão rural hoje no Paraná”, ressaltou Cíntia.
Acompanharam o evento os secretários estaduais da Fazenda, Norberto Ortigara, e de Infraestrutura e Logística, Fernando Furiatti, o chefe da Casa Militar, Coronel Marcos Tordoro; o assessor especial da Casa Civil, Hudson Teixeira; o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi; o deputado federal Sandro Alex; os deputados estaduais Marcelo Rangel, Luiz Claudio Romanelli, Marcio Nunes, Do Carmo, Moacyr Fadel e Professor Lemos; além de prefeitos, vereadores e outras lideranças da região.

