A caderneta de poupança registrou em abril deste ano mais saques do que depósitos, com um saldo líquido negativo de R$ 476,4 milhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8) pelo Banco Central (BC). No mês passado, os aplicadores depositaram R$ 362,2 bilhões, enquanto os saques totalizaram R$ 362,7 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas somaram R$ 6,3 bilhões. O saldo total da poupança é de pouco mais de R$ 1 trilhão.
Nos últimos anos, a caderneta vem apresentando mais retiradas do que depósitos. Em 2023, as saídas líquidas foram de R$ 87,8 bilhões; em 2024, de R$ 15,5 bilhões. No ano passado, o saldo negativo chegou a R$ 85,6 bilhões. Nos primeiros quatro meses de 2025, a poupança já acumula R$ 41,7 bilhões em retiradas líquidas.
Entre as razões para os saques está a manutenção da taxa Selic em patamar elevado, o que estimula a aplicação em investimentos com melhor rentabilidade. Na última reunião, em maio, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. Apesar das tensões no Oriente Médio e das expectativas de inflação em alta, o BC manteve o ciclo de queda, mas não deu pistas sobre os próximos passos.
A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação, que tem meta de 3% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em março, a inflação oficial fechou em 0,88%, impulsionada por altas em transportes e alimentação, ante 0,7% em fevereiro. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,14%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado de abril será divulgado na próxima terça-feira (12).

