O Paraná é o estado com o maior percentual de escolas que possuem bibliotecas no Brasil. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 98,9% dos estudantes paranaenses da rede pública e privada têm acesso a esse recurso. O índice é o mais alto entre todas as unidades da Federação e contrasta com a média nacional de 78,4%.

A Região Sul manteve os melhores indicadores do país, com 89,5% dos alunos da rede pública e 97,9% da rede privada matriculados em escolas com bibliotecas. No Paraná, a cobertura é praticamente universal. O secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, atribui o resultado aos investimentos consistentes na área. "O Paraná tem investido de forma consistente no fortalecimento das bibliotecas escolares como espaços de aprendizagem e formação", afirmou. Ele destacou a recente aquisição de novos exemplares para 550 instituições de tempo integral, com investimento de R$ 7,7 milhões.

A existência de biblioteca é requisito obrigatório para o funcionamento das escolas. Além da estrutura física, a rede desenvolve ações pedagógicas para incentivar a leitura. De acordo com Anderfábio Oliveira dos Santos, diretor da Diretoria de Educação (Deduc), "trabalhamos a leitura de forma orientada e articulada às vivências dos estudantes, com debates, análise de diferentes gêneros e projetos que estimulam a produção e a interpretação". Ele também mencionou a implantação do Programa BiblioClick, que usa o sistema Pergamum para padronizar e integrar a gestão das bibliotecas até 2026.

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Os acervos variam de tamanho conforme a escola. O Colégio Estadual Professor Júlio Moreira, em Pinhão, tem cerca de 9 mil livros. O Centro Estadual de Educação Profissional Manoel Moreira Pena, em Foz do Iguaçu, ultrapassa 20 mil exemplares. Já o Colégio Estadual do Paraná, o maior da rede pública, soma mais de 45 mil títulos. Se colocados lado a lado, esses livros ocupariam entre 6,3 e 7,2 quilômetros – o suficiente para atravessar cerca de cinco vezes a Ponte de Guaratuba.

Algumas bibliotecas guardam verdadeiras relíquias. Em Curitiba, o Colégio Estadual Máximo Atílio Asinelli possui um exemplar de Negrinha, de Monteiro Lobato, de 1920. No Colégio Estadual Dom Orione, há O Crime do Silêncio, de Orison Swett Marden, edição de 1925. O Romance de Simone, de Mathilde Aigueperse, está no Colégio Estadual Professora Carmen Costa Adriano, em Paranaguá, datado de 1929. Há também títulos em árabe, ucraniano, japonês e obras em braile, além de um dicionário de guarani no Colégio Arcângelo Nandi, em Santa Terezinha de Itaipu.

O Programa Leia Paraná é uma plataforma digital que disponibiliza gratuitamente um acervo diversificado de livros para estudantes e professores. O acesso é individual e pode ser feito a qualquer momento. Somente em 2026, foram registrados cerca de 650 mil acessos e aproximadamente 300 mil livros lidos. Os títulos mais consumidos são "O Mágico de Oz" (167.367), "A Ilha do Tesouro" (129.628) e "Turma da Mônica: Laços" (118.657).

Há três décadas atuando na biblioteca do Colégio Estadual Rio Branco, em Santo Antônio da Platina, a bibliotecária Cleusa Pereira Nogueira observou mudanças nos hábitos de leitura. "Hoje, os estudantes buscam conteúdos mais conectados ao seu universo, com maior interesse por temas como terror e fantasia", relata. Ela destaca que a biblioteca segue como espaço de descoberta e que "a leitura pode dialogar com a realidade deles".