O Paraná deu um passo histórico na noite desta quarta-feira (1º) ao inaugurar o primeiro de oito museus satélites previstos pelo governo estadual. O MUPA Londrina, instalado no andar superior do Museu de Arte de Londrina, marca a primeira vez que museus estaduais são implantados fora da capital, Curitiba, em toda a história da gestão pública paranaense.
A iniciativa integra a política pública de Museus Satélites da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC), que tem como objetivo principal descentralizar o acesso a mais de 3 milhões de peças dos acervos dos equipamentos culturais estaduais. Até então, essas coleções estavam concentradas exclusivamente na capital, limitando o acesso da população do interior.
Para a secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, o projeto representa a materialização concreta da política de descentralização cultural do estado. "Todos os equipamentos culturais que o Estado faz a gestão estavam concentrados em Curitiba. Nós fizemos diversas ações e hoje, aqui em Londrina, inauguramos o pontapé inicial do projeto que materializa essa descentralização cultural, em fomento, incentivo e acesso, diretrizes pelas quais temos trabalhado intensamente desde 2019", afirmou durante a cerimônia de inauguração.
A escolha do local para o primeiro satélite carrega um simbolismo especial. O Museu de Arte de Londrina ocupa o espaço da antiga rodoviária do município, com projeto arquitetônico assinado por Vilanova Artigas, um marco central da arquitetura modernista brasileira. "O primeiro Museu Satélite estar localizado no Museu de Arte de Londrina é algo muito simbólico. Ocupar o espaço de um ícone arquitetônico brasileiro como esse, agora com um uso tão pulsante, é uma ação de acupuntura urbana: você põe vida em um espaço e isso reverbera em todo o entorno", destacou a secretária.
A noite de quarta-feira foi duplamente significativa para a cultura londrinense, pois também marcou a reabertura do Museu de Arte de Londrina após obras de revitalização. O espaço agora abriga, em seu andar superior, o MUPA Londrina, que apresenta em sua estreia a exposição "A Riqueza de um patrimônio em movimento: por dentro da vida e da coleção Vladimir Kozák".
A mostra reúne obras do pesquisador tcheco radicado no Brasil, cuja coleção – composta por acervo iconográfico, filmográfico e textual sobre Povos Indígenas Brasileiros (1948-1978) – integra desde 2017 o Programa Memória do Mundo da UNESCO, reconhecida como patrimônio documental e artístico de valor inestimável.
Gabriela Bettega, diretora do Museu Paranaense (o terceiro museu mais antigo do país e o mais antigo do Paraná), explica que a escolha das peças para a primeira exposição em Londrina está diretamente ligada à identidade do museu. "Não é à toa que o conjunto dessas peças foi escolhido para compor a primeira exposição em Londrina. Essa escolha vem de algo que está muito ligado ao DNA do Museu Paranaense, que se consolidou ao longo da sua história com esse caráter de expansão, de extroversão, de entender que é através do contato com o outro, da criação de diálogo e da descoberta do novo que a gente chega também a uma descoberta de si mesmo", afirmou.
A exposição permanecerá em Londrina por aproximadamente seis meses, sendo depois substituída por uma nova mostra de outro museu estadual. Esse rodízio de acervos é parte fundamental da proposta dos museus satélites, como explica Marcão Kareca, secretário municipal de Cultura de Londrina: "Muitos desses acervos estavam em Curitiba e, muitas vezes, a gente nem imaginava que teria a oportunidade de visitá-los. Agora é como se os museus estivessem viajando. Em vez de as pessoas irem até os museus, os museus vão passear pelo estado todo".
Nos próximos meses, outros sete satélites serão implantados em diferentes regiões do Paraná, funcionando como extensões permanentes dos equipamentos culturais estaduais. O Museu Paranaense terá uma unidade em Pato Branco; o Museu de Arte Contemporânea do Paraná implantará satélites em Cascavel e Maringá; o Museu Casa Alfredo Andersen estará presente em Ponta Grossa e Paranaguá; e o Museu da Imagem e do Som do Paraná chegará a Guarapuava e Tunas do Paraná.
A cerimônia de inauguração contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o prefeito de Londrina, Tiago Amaral; os deputados federais Nelsinho Padovani e estaduais Goura; secretários municipais; o vereador Valdir Santa Fé; e o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), Gerson Guariente. O evento marcou não apenas o início de um novo capítulo na política cultural paranaense, mas também a concretização de um projeto que promete revolucionar o acesso à cultura em todo o estado.

