As Forças Armadas do Irã ameaçaram nesta quarta-feira (15) impedir todo o comércio nas principais rotas marítimas da região do Oriente Médio, em resposta ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. O comunicado oficial do país persa representa uma escalada significativa nas tensões que já vinham se acumulando entre Washington e Teerã.
O major-general Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbia do Irã, afirmou que o país tomaria medidas "decisivas" para defender sua soberania. Em declaração reproduzida pela agência de notícias iraniana Tasnim, o chefe militar foi enfático: "Se os EUA, com sua agressividade e espírito terrorista, continuarem com suas ações ilegais de impor um bloqueio marítimo na região e criar insegurança para navios comerciais e petroleiros iranianos, essa ação dos EUA será um prenúncio de violação do cessar-fogo, e as poderosas Forças Armadas do Irã não permitirão que quaisquer exportações ou importações na região do Golfo Pérsico, no Mar de Omã e no Mar Vermelho continuem".
A ameaça iraniana tem potencial para causar um impacto significativo no mercado global de petróleo. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, já seria preocupante por si só. Mas a inclusão do estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, que responde por até 5% desse comércio, amplia consideravelmente os riscos. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), ambas as rotas são consideradas "pontos de estrangulamento" críticos para o abastecimento energético mundial.
O governo iraniano argumenta que o bloqueio naval imposto pelos EUA no Estreito de Ormuz para embarcações que venham ou se dirijam aos portos iranianos é ilegal e viola a soberania do país. Do outro lado, a administração do presidente Donald Trump vem tentando bloquear os portos iranianos como forma de pressão para que Teerã aceite os termos negociados pela Casa Branca.
Enquanto isso, movimentos diplomáticos tentam evitar uma crise maior. O marechal de campo Asim Munir, chefe do Exército do Paquistão, está em Teerã nesta quarta-feira com uma missão dupla: levar mensagens dos EUA e planejar uma possível nova rodada de negociações, após o fracasso da primeira tentativa no último final de semana. O militar paquistanês foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi.
O presidente Donald Trump vem defendendo publicamente que as negociações devem ser retomadas em breve, mas as posições parecem distantes. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, reforçou em coletiva de imprensa nesta quarta-feira que o Irã não vai abrir mão de seu programa nuclear pacífico.
As tensões se estendem para outros fronts regionais. O Irã tem pressionado por um cessar-fogo também no Líbano, onde Israel e o grupo Hezbollah seguem em confronto. Teerã alega que Israel violou o acordo feito entre iranianos e americanos, que previa a suspensão das batalhas em todas as frentes da guerra no Oriente Médio.
Uma fonte anônima ligada ao governo iraniano informou à emissora Al-Mayadeen, sediada em Beirute, que existe expectativa de um cessar-fogo no Líbano entrar em vigor a partir desta noite, com duração de uma semana - coincidindo com o prazo que falta para acabar o cessar-fogo entre EUA e Irã. A mesma fonte alertou, porém, que "Netanyahu, como elemento disruptivo, pode agir novamente para frustrar este acordo".
O chanceler iraniano vinha responsabilizando as "exigências excessivas" e "má fé" dos Estados Unidos como motivo para o fracasso nas negociações anteriores. Enquanto as ameaças militares se intensificam no mar, a corrida contra o tempo continua nas mesas de negociação, com o mercado global de energia observando com apreensão cada novo desenvolvimento.

