Com a inauguração iminente da Ponte de Guaratuba, o Governo do Estado do Paraná já traça os planos para o futuro dos espaços que por décadas abrigaram a operação do ferry boat. A grande novidade é a construção de um complexo náutico ao lado do acesso da região central da cidade, marcando uma nova fase para uma das áreas mais simbólicas do litoral paranaense.
A mudança representa uma transformação profunda para a região que concentrou o fluxo de veículos e passageiros na travessia da baía. Com o avanço da infraestrutura no Litoral, o espaço antes dedicado exclusivamente ao transporte ganhará uma função turística e de lazer, ampliando o potencial econômico de Guaratuba.
Investimento e estrutura
O projeto, trabalhado pela Secretaria do Estado do Planejamento (Sepl) há cerca de seis meses, prevê um complexo com aproximadamente 12 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de mais de 30 mil metros quadrados – que inclui o atual canteiro de obras da ponte. A maior parte da área será destinada ao uso público.
A marina, coração do empreendimento, contará com 303 vagas molhadas (para embarcações atracadas na baía) e 400 vagas secas (para embarcações alocadas internamente). O complexo também terá estacionamento para 208 veículos, espaços de convivência, áreas de lazer e serviços como restaurantes, lojas e estrutura para eventos.
O investimento estimado é de R$ 100 milhões, viabilizado por meio da cessão do terreno para instalação do complexo. As obras serão custeadas pela concessionária que vencer o processo licitatório, que também ficará responsável pela manutenção do local por 30 anos.
Modelo de concessão
A licitação será realizada na modalidade de concorrência pública, o que deve gerar uma economia de R$ 20 milhões para o Estado ao longo das três décadas, segundo estudos da Sepl. Após a conclusão do projeto, o processo de concessão e a fiscalização do contrato serão conduzidos pela Secretaria da Infraestrutura e Logística (Seil), já que as áreas do ferry boat pertencem ao Estado e são administradas pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR).
De acordo com Luiz Moraes Júnior, chefe da Unidade Gestora do Programa de Parcerias do Paraná, a iniciativa surgiu da necessidade de dar nova destinação a uma área estratégica. "Com a construção da ponte, o governo entendeu que o espaço onde hoje funcionava o ferry boat deveria ter uma nova utilidade. A partir daí começamos a planejar um complexo náutico que aproveitasse esse potencial", explicou.
Transição gradual
A desmobilização do sistema atual do ferry boat será feita de forma gradual, garantindo uma transição segura entre os dois modelos de travessia. Segundo o secretário estadual da Infraestrutura e Logística, Fernando Furiatti, a estrutura do ferry boat será mantida temporariamente para assegurar o atendimento à população durante o período de adaptação.
"As duas áreas que são ocupadas pelo ferry boat num primeiro momento vão permanecer para que o ferry boat permaneça operacional, até que a gente possa adaptar o movimento em cima da ponte. Finalizada essa parte, vamos ter uma revitalização tanto do lado que dá acesso a Matinhos quanto do lado de Guaratuba", afirmou Furiatti.
Impacto econômico e social
Durante a obra, está prevista a geração de cerca de 1.425 empregos diretos e indiretos, com injeção aproximada de R$ 100 milhões em salários na economia local. Na fase de operação, outros 695 postos de trabalho devem ser criados de forma direta e indireta.
Para o prefeito de Guaratuba, Maurício Lense, o complexo representa uma oportunidade de dar nova destinação a uma região estratégica. "É uma iniciativa que aproveita uma área que, depois da construção da ponte, ficaria ociosa. É uma oportunidade de transformar este espaço em algo moderno e funcional", afirmou.
A expectativa municipal é que a implantação contribua diretamente na atração de turistas. "É de nosso interesse que o comércio local, a rede hoteleira e os serviços em geral sejam movimentados até em épocas de baixa temporada, dessa forma a população terá estabilidade durante o ano todo", acrescentou Lense.
Próximas etapas
O projeto já teve suas diretrizes aprovadas e agora avança para a fase externa, com abertura de consulta pública e realização de audiência em Guaratuba. As contribuições devem ocorrer ao longo de 30 dias, dentro de um cronograma que também prevê sondagem de mercado.
Após essa etapa, o processo ainda passará por autorização legislativa e análise da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), até a publicação do edital de concessão, prevista para outubro de 2026. A previsão é que as obras tenham início a partir de 2027, com prazo de execução de até cinco anos.
Além do uso turístico e comercial, o complexo prevê espaços públicos e de apoio a serviços essenciais, incluindo pontos para atuação do Corpo de Bombeiros, acessos para pescadores e moradores à baía de Guaratuba, além da possibilidade de uso por instituições como a Marinha do Brasil.

