Quando Lior Susan fundou a Eclipse Ventures em 2015, sua tese de digitalizar o mundo físico não era popular no Vale do Silício. “Era a era do software empresarial e SaaS, e me senti bastante solitário nos primeiros anos”, disse Susan no palco de um evento recente do StrictlyVC em São Francisco. Mais de uma década depois, a Eclipse se vê no centro das atenções do mundo da tecnologia.
O investimento de US$ 6,5 milhões da Série A na Cerebras Systems em 2016 abriu caminho para um retorno total de US$ 2,5 bilhões quando a empresa de semicondutores abriu seu capital esta semana. A empresa investiu um total de US$ 147 milhões na Cerebras ao longo do tempo, uma aposta que gerou um retorno de 17 vezes ao preço da oferta pública inicial (IPO) de US$ 185 por ação, de acordo com a Eclipse.
Para Susan, o ganho inesperado da Cerebras é apenas o começo da colheita de grandes recompensas de uma crença de longa data de que, como 85% do PIB global está atrelado ao mundo físico, investir em empresas além do software puro pode ser imensamente lucrativo. Os mercados públicos e fundadores de startups parecem estar reconhecendo agora o valor da tecnologia do mundo físico. Susan observou que as ações da TSMC e Micron atingiram recentemente máximas históricas, enquanto um grupo crescente de fundadores de elite está ansioso para construir startups na interseção de hardware e software.
“Acho que as pessoas entendem que a verdadeira barreira de proteção (moat) no software desapareceu. Você pode 'vibe code' praticamente tudo o que quiser”, disse ele. Susan ecoou o sentimento do mercado público que, no início deste ano, fez muitas ações de SaaS despencarem, com a crença de que as empresas podem usar o Claude Code da Anthropic ou os modelos mais recentes da OpenAI para criar suas próprias ferramentas de software personalizadas. “O que você não pode fazer com 'vibe code' é fabricar wafers, porque você precisa de máquinas e silício, salas limpas e várias outras coisas”, concluiu Susan.

