Enquanto dados nacionais acendem um alerta sobre o sedentarismo entre adolescentes, o Paraná apresenta um caminho concreto para reverter esse cenário: o fortalecimento do esporte dentro das escolas. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que a maioria dos jovens brasileiros não atinge a frequência recomendada de atividade física. Nesse contexto, iniciativas como os Jogos Escolares do Paraná (Jeps) ganham ainda mais relevância, consolidando a escola como espaço fundamental para a promoção de hábitos saudáveis.

Em 2025, os Jeps mobilizaram mais de 113 mil estudantes paranaenses de 12 a 17 anos, alcançando praticamente todos os municípios do Estado. O programa, promovido pelo Governo do Estado e realizado pelas secretarias do Esporte e da Educação, com apoio dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) e prefeituras, reúne alunos-atletas das redes pública e particular em diversas modalidades esportivas. A abrangência e a participação crescente demonstram como a política pública pode ampliar o acesso ao esporte e, consequentemente, combater o sedentarismo desde a base.

Para o secretário estadual de Educação, Roni Miranda, o investimento no esporte escolar vai muito além da prática física. “O Paraná tem investido de forma consistente no esporte escolar porque entende que ele vai muito além da prática física. O esporte é uma ferramenta de formação integral, que contribui para a saúde física e mental dos estudantes, além de desenvolver disciplina, trabalho em equipe e abrir oportunidades. Resultados como os pódios nacionais e as medalhas em competições internacionais mostram que estamos no caminho certo, ampliando o acesso e incentivando talentos em todas as regiões do Estado”, afirma.

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O secretário estadual do Esporte, Walmir da Silva Matos, reforça a importância do trabalho contínuo nas escolas. “Quando o esporte é trabalhado de forma contínua e organizada dentro das escolas, os resultados aparecem naturalmente, seja na melhoria da qualidade de vida dos estudantes, seja nos pódios em competições estaduais, nacionais e internacionais. O desempenho dos alunos paranaenses mostra a força do esporte escolar como política pública e como ferramenta de transformação”, explica.

Os frutos desse investimento já são visíveis em competições de alto nível. O time de futsal feminino do Colégio Estadual do Paraná (CEP), por exemplo, conquistou de forma invicta a 1ª Copa Internacional Interclubes Sub-17 no Chile, enfrentando equipes do país anfitrião, além de México, Colômbia e Argentina. A competição contou com a chancela da Confederação de Futebol de Salão do Brasil (CFSB). Na final, o CEP, com uma equipe de 14 atletas e três professores, venceu o tradicional clube chileno Cobreloa por 5 a 1.

A técnica Danielly de Quadros destaca o significado da conquista. “Acho que a coisa mais legal é que elas são atletas de uma escola pública. Além de muitas meninas nunca terem viajado de avião, elas vão entrar em contato com uma cultura diferente, por meio do esporte. E isso é um detalhe que existe no CEP: a formação integral do aluno, sendo o esporte um dos responsáveis por isso”, afirma.

O protagonismo paranaense no esporte estudantil também brilhou no Mundial Escolar, realizado na Sérvia em abril. Uma delegação de 20 alunos-atletas do Estado, de escolas públicas e privadas, conquistou 11 medalhas, com destaque para atletismo, natação e ginástica artística, levando o nome do Brasil ao pódio em diversas provas.

Nos municípios, os Jeps também geram mobilização e desenvolvimento esportivo. Em Siqueira Campos, no Norte Pioneiro, o voleibol vive um momento de fortalecimento. Após a fase municipal dos jogos, equipes de colégios estaduais como o Sagrada Família e o Cívico Militar Professor Segismundo Antunes Netto avançaram para a fase macrorregional. O campeonato envolve times femininos e masculinos nas categorias de 12 a 14 anos e 15 a 17 anos, incluindo o voleibol de quadra e o vôlei de praia.

Jean Henrique, treinador da equipe masculina do Colégio Estadual Sagrada Família, detalha a rotina dos alunos-atletas. “A rotina de treinos das equipes é intensa, com atividades realizadas entre três e quatro vezes por semana. A preparação vai além dos treinamentos técnicos, incluindo amistosos, participação em ligas regionais e, no caso do vôlei de praia, a disputa do circuito paranaense, que contribui diretamente para a evolução dos atletas”, explica. Em 2026, o crescimento ficou ainda mais evidente com a participação de todos os colégios estaduais do município, além de uma escola da rede privada.

A diversificação das práticas esportivas também é uma estratégia para engajar mais estudantes. No Colégio Estadual Júlia Wanderley, em Curitiba, o futmesa (ou teqball) conquistou os alunos. A modalidade, criada na Hungria, mistura elementos do futebol, futevôlei e tênis de mesa, sendo praticada em uma mesa curva com rede central. Pode ser disputada individualmente ou em duplas, usando qualquer parte do corpo, exceto braços e mãos, exigindo habilidade, coordenação e raciocínio rápido.

Na escola, o futmesa passou a integrar os campeonatos interclasses, reunindo mais de 40 duplas em um torneio organizado pelos próprios alunos, com uso de mesa e bola profissionais. O professor de educação física Jorge Julian Santos Botelho Maciel comemora a adesão. “O futmesa surgiu como uma proposta de trazer algo diferente para além dos esportes tradicionais, e a adesão foi surpreendente. A final foi realizada na quadra e foi algo realmente lindo de ver, pelo nível técnico e pelo envolvimento dos alunos”, afirma. A iniciativa faz parte de um projeto mais amplo que inclui modalidades como futebol, vôlei, basquete, pebolim, tênis de mesa e xadrez.

Além de promover a prática esportiva, o futmesa estimula o trabalho em equipe, a interação entre os estudantes e o desenvolvimento cognitivo, já que exige estratégia e tomada de decisão rápida. Diante do sucesso, a escola já planeja novas edições do interclasse, ampliando ainda mais o espaço para o esporte no ambiente escolar.

Os exemplos do Paraná mostram que, quando o esporte é tratado como política pública de forma integrada entre educação e esporte, os resultados vão desde a melhoria da saúde e do bem-estar dos estudantes até a revelação de talentos que brilham em competições internacionais. Em um país onde o sedentarismo juvenil é uma preocupação crescente, iniciativas como os Jeps demonstram que a escola pode ser, de fato, um poderoso agente de transformação por meio do esporte.