Neste 22 de abril, quando o mundo celebra o Dia da Terra, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) se destaca como um exemplo prático de como o transporte coletivo pode ser aliado fundamental na construção de um planeta mais sustentável. Enquanto especialistas apontam que o caminho para um futuro ambientalmente equilibrado passa necessariamente pelo fortalecimento das ferrovias, a operadora paulista demonstra na prática como isso é possível, unindo eficiência operacional a compromissos ambientais concretos.
Ao transportar aproximadamente 1,2 milhão de passageiros diariamente em suas quatro linhas que somam 142 km de extensão, a CPTM não apenas desafoga o trânsito caótico da Região Metropolitana de São Paulo, mas também contribui significativamente para a redução da emissão de poluentes e do consumo de combustíveis fósseis. Os números comprovam essa eficiência: em 2024, a companhia gerou 37.379 toneladas de CO₂ equivalente em suas operações, o que representa um índice de apenas 3,3 gramas de CO₂ por passageiro por quilômetro.
Esse desempenho é 96% menor do que o de um ônibus urbano movido a diesel, significando que uma viagem de trem emite até 27 vezes menos carbono do que o mesmo trajeto realizado por ônibus. "Esses dados reforçam a relevância estratégica do modal ferroviário não apenas para a mobilidade urbana, mas para a preservação do meio ambiente", analisam especialistas em transporte sustentável.
Mas a atuação da CPTM vai além da simples mensuração de emissões. A companhia tem integrado consistentemente a pauta ESG (Environmental, Social and Governance) à sua estratégia de negócios e investimentos, o que fortalece sua imagem institucional e amplia oportunidades de acesso a mercados de carbono e linhas de financiamento verde.
No campo da energia limpa, a empresa deu um passo importante no último dia 16 de abril, inaugurando uma usina solar fotovoltaica com potência de 86,50 kWp na Estação Calmon Viana, que atende às linhas 11-Coral e 12-Safira. O projeto foi contemplado na Chamada Pública de Projetos de Eficiência Energética da concessionária EDP São Paulo e recebeu investimento a fundo perdido no valor de R$ 519.157,89.
Outra iniciativa semelhante está em andamento na Estação Engenheiro Goulart, que atende às linhas 12-Safira e 13-Jade, onde será instalada uma usina solar com potência de 134,55 kWp, com previsão de entrega para junho. Neste caso, a CPTM obteve um investimento não reembolsável de R$ 1.039.633,65 através de seleção promovida pela Enel, recursos que também estão sendo usados para a troca de lâmpadas e sistemas de climatização em 16 estações do sistema ferroviário.
No campo da adaptação climática, a companhia avança na implementação de Soluções baseadas na Natureza (SbN) em áreas ferroviárias. Um dos destaques é a implantação de uma biovaleta de aproximadamente 250 m² no trecho entre as estações Utinga e Prefeito Saladino, na Linha 10-Turquesa. Desenvolvido conforme as diretrizes do Manual de Infraestrutura Verde da CPTM, o projeto inclui preparo do solo e plantio de espécies adequadas, favorecendo a infiltração da água da chuva e reduzindo o escoamento superficial.
Talvez o projeto mais emblemático tenha sido executado em colaboração com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) e a Fundação Florestal no Parque Estadual da Serra do Mar. Foram identificadas e demarcadas mil árvores matrizes nativas para coleta de sementes e produção de mudas, resultando na produção de 73 mil mudas florestais em uma área de 160 hectares. O trabalho contribui diretamente para a conservação de espécies raras e ameaçadas da Mata Atlântica e foi documentado no livro "Mães da Mata", que registra a metodologia aplicada para futuros projetos de restauração ecológica.
Com essas iniciativas, a CPTM consolida seu compromisso com a sustentabilidade, a inovação e o bem-estar da população, demonstrando na prática como é possível unir soluções de mobilidade urbana eficientes a práticas ambientalmente responsáveis. Enquanto seus trens percorrem diariamente cerca de 53,5 mil km - o equivalente a 1,3 volta em torno da Terra - em 1.551 viagens programadas, a empresa paulista mostra que o caminho para um planeta mais sustentável realmente passa pelas ferrovias.

