Enquanto muitos da sua idade se recolhem ao conforto do lar, Takuji Yamada, 91 anos, prepara sua raquete e ajusta os óculos para mais uma partida de tênis de mesa. O mesatenista de Araçatuba, interior de São Paulo, é uma das figuras mais emblemáticas dos Jogos da Melhor Idade (Jomi), competição que reúne atletas veteranos de todo o estado.
Na última terça-feira (14), durante a abertura da etapa da 6ª Região Esportiva do Jomi em Araçatuba, Takuji enfrentou um adversário mais jovem – embora ainda na categoria de melhor idade – e acabou derrotado por 2 sets a 0. Mas o placar, para ele, é mero detalhe. "Jogo tênis de mesa desde os meus 20 anos. Já disputei torneios no Brasil e fora. Ganhar não é o que mais motiva. Eu jogo porque amo esporte e porque gosto de competir, de reencontrar velhos amigos", afirma com um sorriso que não esconde o brilho nos olhos.
A trajetória de Takuji no esporte é tão longa quanto sua vida. Nascido no Japão, ele chegou ao Brasil ainda jovem e trouxe consigo a paixão pelo tênis de mesa, esporte popular em seu país de origem. Em terras brasileiras, não apenas manteve a prática como a transformou em um estilo de vida. Hoje, morador de Araçatuba, ele é presença garantida em todas as edições do Jomi, competição organizada pela Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo.
"Enquanto puder caminhar, estarei no Jomi", crava o atleta nonagenário, que já perdeu as contas de quantas vezes participou do evento. Sua determinação é tamanha que já tem planos para 2027, quando pretende competir novamente ao lado de sua maior incentivadora: a esposa Kimiko, com quem é casado há 50 anos. Juntos, vestirão a camisa azul que representa Araçatuba na competição.
O exemplo de Takuji vai além das quadras. Ele personifica o espírito do Jomi, que não se trata apenas de competição, mas de socialização, saúde e qualidade de vida para a terceira idade. A etapa da 6ª Região Esportiva, que segue até a próxima terça-feira (21), reúne centenas de atletas em diversas modalidades, do atletismo ao xadrez, todos com histórias de superação e paixão pelo esporte.
Para os organizadores, casos como o de Takuji são a essência do evento. "O Jomi não é sobre vencer, é sobre participar, se movimentar, se divertir", explica um dos coordenadores, que prefere não se identificar. "Takuji é um exemplo vivo disso. Ele mostra que envelhecer não significa parar, mas sim continuar fazendo o que se ama, com adaptações necessárias".
Na quadra, Takuji movimenta-se com uma agilidade que surpreende quem o vê pela primeira vez. Seus golpes são precisos, fruto de décadas de prática. Entre um ponto e outro, ele para para conversar com adversários e amigos, muitos dos quais conhece há anos através do esporte. "Aqui a gente cria uma família", comenta, enquanto ajusta a faixa que segura seus óculos.
A programação completa da etapa do Jomi em Araçatuba, incluindo resultados e horários das competições, está disponível no site da Secretaria de Esportes. Mas para Takuji, o importante não está na tabela de classificação. Está em poder continuar fazendo, aos 91 anos, o que mais ama: jogar tênis de mesa, competir com respeito e, acima de tudo, celebrar a vida através do esporte.

