O açaí juçara, fruto nativo da Mata Atlântica e semelhante ao açaí amazônico, está no centro de uma ação que une geração de renda, preservação ambiental e valorização cultural no litoral do Paraná. Nesta quarta-feira (1º), a Portos do Paraná realizou a primeira edição de nível intermediário de uma oficina sobre coleta, despolpa e técnicas de armazenamento do fruto, na Ilha do Amparo. A iniciativa faz parte do Programa de Educação Ambiental (PEA) da empresa pública.

O objetivo é claro: oferecer uma nova fonte de renda para comunidades tradicionais, formadas em grande parte por pescadores, e ao mesmo tempo contribuir para a preservação da palmeira juçara, espécie ameaçada de extinção. "Oferecer novas oportunidades de renda é uma forma de incentivar os jovens a permanecerem na comunidade, sem a necessidade de buscar emprego em grandes centros", afirmou o coordenador de Comunicação, Educação e Sustentabilidade da Portos do Paraná, Pedro Pisacco.

As ações também buscam ampliar o consumo do açaí dentro da própria comunidade. "Representantes das escolas têm interesse em incluir o alimento na merenda, por ser extremamente nutritivo, rico em vitaminas e antioxidantes, proporcionando diversos benefícios à saúde", destacou Pisacco. O fruto, rico em ferro, cálcio e antocianinas (antioxidantes que dão a coloração roxa escura), é originário da palmeira Euterpe edulis, nativa das áreas litorâneas de Mata Atlântica.

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O aprendizado foi conduzido pelo Instituto Juçara de Agroecologia, com atividades teóricas e práticas. Os moradores revisaram, de forma prática, os conhecimentos das oficinas básicas anteriores. "Eles conduziram todo o processo, realizando a limpeza e a despolpa dos frutos. Em seguida, mostramos como utilizar a seladora para embalar e congelar o produto. As técnicas permitem consumir o açaí durante todo o ano", explicou o vice-presidente do instituto, Rafael Serafim da Luz.

O processo envolve a seleção de frutos maduros e sadios, higienização com solução adequada, despolpa (que separa a polpa do caroço e da casca) e peneiramento. A coleta do açaí juçara no litoral paranaense ocorre entre março e maio, período de frutificação da palmeira, que é de fácil manejo e parte da paisagem caiçara.

Para a pescadora Edneia Pereira, moradora há 45 anos na Ilha do Amparo, a oficina já rende frutos. Após participar das três edições na Cozinha Comunitária (que homenageia sua avó, dona Francisca Basília), ela e o esposo colheram frutos e produziram cinco litros de açaí. Ela destacou a importância da doação de uma despolpadeira pela Portos do Paraná. "A gente já tem uma associação de mulheres aqui na ilha e, nos próximos eventos, queremos levar pães e geleias de açaí para vender. A despolpadeira ajuda muito nesse processo", afirmou.

O presidente da Associação da Ilha do Amparo, Osmail Pereira do Rosário, observa que as oficinas estão motivando a comunidade. "As crianças já perguntam sobre o açaí, sabem como preparar bolo e suco, e já temos pessoas produzindo para consumo próprio", relatou. A valorização local vai além do fruto: a palmeira também é conhecida pela produção do palmito juçara, reforçando sua importância econômica e ecológica.

Esta é a quinta oficina sobre açaí juçara promovida pela Portos do Paraná, totalizando 131 participantes. Desde 2019, a empresa pública promove dezenas de oficinas de capacitação e cursos profissionalizantes gratuitos voltados às comunidades litorâneas do estado. As iniciativas buscam promover práticas sustentáveis, educação ambiental, organização comunitária e valorização do meio ambiente, criando um ciclo virtuoso de preservação e desenvolvimento local.