O Carnaval, tradicional período de festa e comemoração no Brasil, exige atenção redobrada com a prevenção de acidentes envolvendo a rede elétrica. O alerta é do presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Marcos Madureira, que em entrevista à Agência Brasil destacou os riscos que aumentam durante a folia.

Segundo dados da Abradee, no primeiro trimestre de 2025 foram registrados 176 acidentes envolvendo a rede elétrica no país, com 65 mortes. No mesmo período de 2024, ocorreram 177 acidentes e 81 óbitos. Embora haja uma redução no número de mortes na comparação, Madureira ressalta que "não é um sinal de satisfação. Ainda há acidentes fatais. A gente tem que buscar acidente zero".

Os dados reforçam a necessidade de ações contínuas de prevenção e conscientização, especialmente em períodos de festas populares como o Carnaval, quando as chuvas de verão e atividades informais em áreas urbanas aumentam os riscos. O presidente da Abradee explica que fatores como o contato de serpentinas metálicas com fios, ligações clandestinas e a proximidade de estruturas metálicas da rede elétrica ampliam significativamente o perigo de choques, curtos-circuitos, incêndios e acidentes fatais.

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"No caso das serpentinas metálicas, elas conduzem energia elétrica e, ao terem contato com a rede elétrica, podem estabelecer um elemento de conexão entre as pessoas que estão lançando, aquelas que se encontram próximas do local e a rede elétrica", alerta Madureira. Ele enfatiza que "são cuidados importantes que se tem que ter para garantir segurança".

Para a instalação de arquibancadas, estruturas de apoio ou barracas durante o Carnaval, o presidente da Abradee orienta que as distribuidoras de energia devem ser procuradas para fazer as conexões da forma correta. Fios desencapados, partidos ou não aterrados adequadamente podem oferecer riscos graves à população. "As distribuidoras disponibilizam equipes exatamente para que essas conexões sejam feitas de forma adequada. Muitas vezes, as pessoas fazem gambiarras que colocam em risco a população", adverte.

Em relação aos carros alegóricos e trios elétricos, que tendem a ser cada vez mais altos, a preocupação é que não se aproximem da rede elétrica. Madureira indica a necessidade de um trabalho prévio junto ao Corpo de Bombeiros e à distribuidora local. "Isso é fundamental, porque permite que a rede possa ser elevada, criando condições de segurança para a passagem dos veículos, dentro do limite de altura pré estabelecido", explica.

Outro ponto relevante destacado pelo presidente da Abradee é o trânsito inadequado do público em carros onde ficam os músicos que embalam as festas, o que aumenta os riscos. "Brincar o Carnaval com segurança é manter distância dos fios e sempre contar com a orientação técnica das distribuidoras", conclui Madureira.

Para ampliar a conscientização, a Abradee lançará em junho a Campanha Nacional de Segurança com a Rede Elétrica, iniciativa anual que tem como objetivo expandir o alcance das informações preventivas, orientar a população sobre comportamentos seguros e reforçar que a convivência com a energia elétrica exige atenção permanente. Durante o lançamento, a entidade divulgará dados consolidados sobre acidentes com a rede elétrica referentes ao ano de 2025. "Nós procuramos identificar quais são os principais acidentes com a população e fazer com que a campanha tenha foco sobre essas causas", afirma Madureira.

O alerta ganha ainda mais relevância considerando o contexto do Carnaval 2025. O Rio de Janeiro, por exemplo, espera receber 8 milhões de foliões, os desfiles da Série Ouro do Carnaval carioca têm ingressos esgotados e novos blocos preparam sua estreia na folia. Com tanta aglomeração e estruturas temporárias, a atenção com a rede elétrica se torna uma questão de segurança pública essencial para garantir que a festa ocorra sem tragédias.