Três dias após ser vaiado por parte da torcida do Real Madrid em um jogo do Campeonato Espanhol, o atacante brasileiro Vinicius Júnior deu a resposta mais eloquente possível: dentro de campo. Nesta terça-feira (20), em uma atuação inspirada, ele comandou a goleada de 6 a 1 sobre o Mônaco, pela penúltima rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões, no Estádio Santiago Bernabéu.
Vestindo a camisa 7, Vini Jr. foi simplesmente desconcertante. Ele deu dribles, liderou contra-ataques, marcou um golaço e deu duas assistências primorosas. A primeira foi para Kylian Mbappé abrir o placar aos quatro minutos do primeiro tempo. A segunda, no segundo tempo, serviu o jovem argentino Franco Mastantuono. Após os 90 minutos, não houve dúvidas: ele foi eleito o melhor jogador da partida.
O contexto das vaias e a resposta em campo
A atuação de gala veio em um momento delicado para o jogador. No último sábado (17), durante a derrota para o Levante pela LaLiga, ele foi alvo de vaias de uma parcela dos torcedores madrilenos. A sequência de resultados abaixo do esperado do Real Madrid – incluindo a perda da final da Supercopa da Espanha e a eliminação na Copa do Rei – criou um clima de pressão, parte da qual recaiu sobre os ombros do brasileiro.
Em entrevista à TNT Sports após o jogo contra o Mônaco, Vini Jr. falou sobre o período difícil. "[Essa atuação] significa muito, por tudo o que vinha passando nos últimos dias. A troca de treinador, perder a final, cair da Copa do Rei. Jogar no maior clube do mundo as exigências são muito grandes. Às vezes ficamos sem entender [as vaias], mas sabemos do tamanho do time", disse. "Também sou humano. Fico chateado pelo que as pessoas falam, mas a cada dois, três dias, temos a oportunidade de nos provar".
Apoio total do elenco e da comissão técnica
Mesmo sob crítica, o atacante de 23 anos, natural de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, não ficou sozinho. Recebeu apoio público e contundente de duas figuras centrais do clube: o técnico Álvaro Arbeloa e a estrela Kylian Mbappé.
Na véspera do duelo com o Mônaco, Arbeloa foi direto: "Se eu quiser ter chances de vencer, preciso de Vinicius". Já Mbappé, que abriu o placar com passe do brasileiro, havia se manifestado antes, discordando das vaias. "Não se deve criticar apenas um jogador. Não é culpa do Vini que estejamos jogando do jeito que estamos agora", defendeu o camisa 10 francês.
Recorde histórico na Liga dos Campeões
A noite não foi marcada apenas pela superação e pela atuação brilhante. Vinicius Júnior entrou para a história do clube merengue. Com as duas assistências desta terça-feira, ele alcançou a marca de 30 passes para gol na Liga dos Campeões pelo Real Madrid, tornando-se o maior assistente da história do clube na competição. O feito supera os 27 registrados por lendas como Karim Benzema e Cristiano Ronaldo.
"A única coisa que posso fazer é dentro de campo, entrar e dar o meu máximo. Nem sempre vou estar na minha melhor fase tecnicamente. Mas sempre vou me doar pela equipe", afirmou o jogador, demonstrando resiliência. "O último ano não foi fácil pra mim, não estava conseguindo jogar como eu quero. Mas quero seguir aqui [no Real Madrid] por muito tempo".
Além dos gols de Mbappé (2), Mastantuono e do próprio Vini Jr., completaram o placar para o Real Madrid os ingleses Jude Bellingham e um gol contra de Kehner. O volante Teze descontou para o Mônaco. A vitória consolida a liderança do time madrileno em seu grupo na Champions League.

